Digo que tenho vergonha de ser brasileiro e as pessoas se chocam. É ininteligível.
Neguinho vem me falar bem do Brasil, fazer graça. Vem sambando então, filha da puta!
Veja bem, não é que tudo aqui seja ruim. Ainda há Coca-cola-litro em garrafa de vidro nos arredores de Rio Preto. Mas o que me pedem, o que querem é “orgulho de ser brasileiro”. Vou criar o gênero “piada de brasileiro”. Tipo “um brasileiro achava que era gente, foi a Cancún pedir o fim dos subsídios para a agroindústria do primeiro mundo. O que o Schwarzenegger falou pra ele?”
Fulano chega pra mim e diz que o Brasil precisa disso, que precisa daquilo. E eu respondo, segurando o charuto com os dentes de trás: “precisa de dinheiro”.
O problema é que dinheiro se faz com a cabeça, com inteligência. Pior: dinheiro depende muito dos políticos. Deus! Estamos nas mãos dos políticos!
Eu confesso que acompanho o noticiário político. À noite, na cama, choro baixinho antes de dormir. E rezo, e tenho medo, e penso na pior das violências que este país me inflige: o voto obrigatório. É preferível morrer gauche a votar neste país.
Pior: o país é tão ruim que até falar mal dele não tem valor. Mais chique falar mal do comportamento das platéias de teatro na Bélgica (riem demais?). Não há o que falar mal daqui. A evidência da cretinice é tamanha que me dá mais vontade de falar mal do mundo de Toddynho, falar mal da metafísica, etc. Questões mais gerais.
O mundo de Toddynho - é óbvio - revive o mito de Cocagna, que eu não vou explicar qual é (quem sabe, melhor). Como tal, deve ser criticado pela fixação exagerada num dos prazeres (em geral, a gula, que não é o prazer só do paladar, mas também visual, olfativo, etc). O mundo de Toddynho não explica como as pessoas não vão enjoar de tanto chocolate.
O mundo de Toddynho só pode ser conquistado por quem tem mais de 30 milhões de dólares na conta.
Não é o meu caso.