março 7, 2003

Fazer o quê?

Nós, os de inteligência média, somos pessoas angustiadas.
Alguns canalhas dizem que o Homem (ai, o Homem) é angustiado porque está entre a besta e Deus. Que dor... o Homem...
Homem o caralho. Homem não existe. Nós, os de inteligência média, sim, existimos.
Nós, os de inteligência média, ficamos entre a besta e o Gênio. É triste.
Temos suficiente QI para admirar o Gênio, e reconhecê-lo como tal, mas não atingimos aquele salto qualitativo que o Gênio atinge, e nos confortamos com a genética. É triste.
Mais patético: os de inteligência média fazem competição pra ver quem consegue reconhecer mais Gênios, como se isso lhes conferisse uma nesguinha do prestígio dos Gênios, e assim pudessem conseguir uma ridícula proeminência entre seus outros companheiros de inteligência média. Ai, que triste.
Mais triste: há os de inteligência média que torcem para um seu conhecido ser Gênio, pois assim pelo menos poderiam gozar da convivência com o Gênio, e tê-lo reconhecido antes, e, talvez, ter um papel interessante na biografia do Gênio. Transar com o Gênio é uma glória, mas se isso não tiver acontecido, pode-se dar a desculpa de que “havia uma relação espiritual entre nós”. Saída muito boa, católica e tudo mais...
Nós, os de inteligência média, somos o lixo. Muito mais infelizes que feirantes e muito menos realizados que qualquer dona-de-casa-mãe-de-três-filhos-criados. Defendemos a inteligência como grande apanágio, esperançosos de que aos quarenta e tantos anos tenhamos nos transformado em Gênio, como um verme que espera magicamente ser transformado em borboleta. Pior: nossa esperança não é sincera, sabemos que jamais passaremos de pessoas “inteligentes e originais, capazes de seduzir os incautos e massacrar os estúpidos, ainda que carecendo de genuína coragem e determinação”.
Nós, os de inteligência média, somos patéticos.

Posted by Radamanto at março 7, 2003 6:07 AM