março 7, 2003

Eu botei veneno no seu jiló

Quando surgi no mundo, a primeira coisa que fizeram foi espancar meu traseiro. Assim não dá!
Como todo homem que se preza, me recusei a chorar, e passei oito dias na estufa antes de ir pra casa (médicos covardes interpretaram minha macheza como “dificuldades respiratórias”, queriam que eu chorasse). Minha analista diz que vem daí minha atitude desafiadora. Eu nem vou dizer o que eu respondi pra ela, tenho decoro.
Um mundo em que você entra apanhando é sinistro, véio. Obstetra fosse, ofereceria um Martini à criança, talvez um cigarro.
A vantagem de ser recém-nascido é que você vive naquele mundo de safadeza sem esquentar a moleira. Chupa um peitinho ali, tem o pirulito manipulado aqui, fica se esfregando em outro acolá, tudo legalizado. Não inventaram adultofilia, ainda bem.
Só quem tem um harém é feliz, só quem tem um harém escapa a determinações sociais chatinhas. O Redentor da nova religião será criado num harém. Ele, sim, transcenderá à mídia, e não cometerá o erro de Sidarta. Ele desejará um harém para cada um de nós, pois saberá que somente assim seremos seres quase que absolutamente espirituais.
Tenho vontade de falar do "caminho dos excessos”, mas é brega demais.

Ademais, "o caminho dos excessos leva ao palácio do cemitério", assim falava Zaratustra.

Posted by Radamanto at março 7, 2003 5:09 AM