O truco é o maior dos esportes.
Jamais treinei um esporte com mais afinco, mesmo tendo uma estréia tardia.
Tem gente que acha écarté um grande jogo. E há os idiotas do pôquer (gente colonizada).
Fui campeão brasileiro de truco (estudantil), e venci a semi-final de casal menor contra zap e dois três.
Zap, aliás, é a onomatopéia mais bonita da língua.
Truco daria um bom filme:
Jogador profissional de truco anda de cidade em cidade, ganhando frangos embrulhados em celofane e algum dinheiro com suas vitórias. Está sempre vestido à caráter, ou seja, de short Adidas, chinelo Havaianas e sem camisa. Sonha em fazer le grand tour, ganhando seguidamente os campeonatos de Buritama, Barbosa, Catanduva, Tanabi e Pereira Barreto.
Em sua saga, nosso herói passa por várias aventuras. Se mete em brigas de boteco e escapa de levar surras de fivela de peões brutamontes, sempre usando de seu maior artifício: a dissimulação.
Também planejo cenas quentes, como quando nosso herói, durante uma partida decisiva e aproveitando para dar um sinal de zap, pisca para a namorada do maior facínora da cidade (o filho do prefeito) e se envolve em grande confusão.
O filme deve abusar do jargão do truco, tanto durante os jogos como em belas metáforas ditas pelos personagens (“Se a vida me truca, eu peço logo seis”; “O amor é como uma mão-de-ferro jogada no escuro”; “Se aquela loira vier ne mim eu bato no monte e mando logo subir”).
O final do filme coincide com o clímax, na grande final em Pereira Barreto.
Trilha sonora: Tião Carreiro e Pardinho, Pedro Bento e Zé da Estrada, Milionário e José Rico, Mário Zan, Teixeira e Teixeirinha.
P.S.: O que entendo por truco é manilha nova, ponta-acima. Nada de manilha velha ou outras variantes mineiras pouco ortodoxas.