outubro 26, 2002

Fala, garoto!

Não discrimino ninguém por ser idiota.
Ser idiota - dizia Schopenhauer - é um dos direitos fundamentais do Homem.
No entanto, as coisas se complicam quando o idiota alcança certos cargos.
Mas eu não estou a fim de falar e vou passar a bola para o nosso convidado de hoje, o tarado de pijama, Nelson Rodrigues. Fala, Nelson.

“Até o século XIX o idiota era apenas o idiota e como tal se comportava. E o primeiro a saber-se idiota era o próprio idiota. Não tinha ilusões. Julgando-se um inepto nato e hereditário, jamais se atreveu a mover uma palha, ou tirar uma cadeira do lugar. Em 50, 100 ou 200 mil anos, nunca um idiota ousou questionar os valores da vida. Simplesmente, não pensava. Os "melhores" pensavam por ele, sentiam por ele, decidiam por ele. Deve-se a Marx o formidável despertar dos idiotas. Estes descobriram que são em maior número e sentiram a embriaguez da onipotência numérica. E, então, aquele sujeito que há 500 mil anos limitava-se a babar na gravata passou a existir socialmente, economicamente, politicamente, culturalmente, etc. Houve, em toda parte, a explosão triunfal dos idiotas”.

Obrigado, Nelson. Agora você já pode voltar pra lá. Boa noite pra você também.

Bem, vejam só: o que o Ortega precisou de um livro inteiro pra falar, o nosso amigo Nelson Rodrigues disse numas poucas linhas. Depois dizem que brasileiro não tem poder de síntese e não sabe diferenciar apodítico de apofântico.

P.S.: Americano acha que tá com a bola toda mas não sabe falar. Chamam sensível de sensitive. Ora, sensitive é médium kardecista, bando de ignorantes!

Posted by Radamanto at outubro 26, 2002 6:37 AM