Dizem que loteria é o imposto que a gente paga por ser idiota. Vá lá que tem alguma verdade na frase, mas há outras coisas a considerar. Há, por exemplo, o uso antropológico da loteria; a loteria nos desperta a brasilidade. Sempre que vou a lotéricas é uma experiência, assim, quase que existencial. Há todo tipo de gente jogando e todo mundo ali é brasileiro pacas (repara só).
Assim como eu só me sinto latino ouvindo Manu Chao em rádio AM, eu só me sinto brasileiro fazendo uma fezinha (olha que expressão mais mimosa!).
O paroxismo da brasilidade é pegar fila em casa lotérica.
Tudo isso pra dizer o seguinte: não me conformo de nunca ter visto Herbert Richers.