Gosto de ser engraçadinho nas aulas da faculdade, o que me rende vários dissabores. Vira e mexe vem um professor me chamar pra ter uma conversinha no gabinete. Isto, claro, não adianta nada. Melhor que ser engraçadinho na sala de aula é ser engraçadinho na sala do professor. Já ouvi pronunciamentos curiosos da parte dos mestres. Exemplos:
1) “Você acha que deve passar?”. Resposta: “Mas é evidente”.
“Quanto você acha que merece?”. Resposta: “Mais que cinco me deixaria humilhado”.
“Você deve ter poucos amigos, sendo sarcástico como é”. Resposta: “Pelo contrário, tenho muito mais amigos que você”.
(Ela acabou me dando a nota mesmo. Daí três meses encontrei-a numa festa. Pergunta dela: “Mas diga, sinceramente, o que você acha da minha disciplina?”. Resposta: “É uma merda. E nem sou só eu, todo mundo diz que é uma merda.” Comentário: “Os outros alunos nunca me disseram isso.” Resposta: “Todo mundo quer passar, né? Mas tenha certeza que todo mundo te detesta e acha uma merda a sua matéria”.
Mais três meses e ela veio perguntar de novo, numa outra festa. Me tirou pra dançar e, durante o rala-coxa, perguntou de novo: “E aí, acha mesmo minha disciplina uma merda?”. Resposta: “Ah, sim. Claro, claro.” Velha nojenta.)
2) “Leia isto”, entregando minha auto-avaliação. Resposta: “Hm, terminei”.
“O que você acha disso?”. Resposta: “Bem, já escrevi melhor, o estilo está meio confuso e eu escrevi “pedra de Rosetta” com erre minúsculo, o que está errado, já que Rosetta é uma cidade”.
“Não estou falando sobre isso”. Resposta: “Ah, não? O que então?”.
“Por que um aluno de quinto ano escreve uma, uma, uma... coisa dessas?” Resposta: “Eu fui sincero, minha filha. Não é ironia, é o que eu penso. Não podia?”.
“As pessoas se sentem agredidas com essas coisas”. Resposta: “Você se sentiu agredida, quer dizer”.
“E como não me sentiria?”. Resposta: “Sendo mais inteligente e percebendo que não é pessoal, é contra o sistema, sabe? O sistema.”
“Bom, eu só queria que você soubesse”. Resposta: “Tudo bem, já sei. Quer tomar um café?”
“Não. Até mais.” Resposta: “Até mais, foi um prazer”.
(Com essa eu nunca mais pego estágio. Pior, ela agora tem relevância política na faculdade e certamente vai vetar todos os meus recursos de quebra de pré-requisito).
3) Diante do meu braço levantado para pedir a palavra na sala de aula: “Não, você não! Pelo amor de Deus, né!”.
Meu intuito sendo engraçadinho é simples. Primeiro, claro, é divertido. Depois, eu quero que o professor prefira minha ausência a minha presença (pra eu ficar leve e folgado, escrevendo este blog pra vocês, pessoas gracinhas).