Já adolescente, enforcava aula pra assistir à Cozinha Maravilhosa da Ofélia.
Nada a ver com a comida.
É que a voz da Ofélia me arrepiava a penugem da nuca (nunca entendi por quê). Eu ficava imóvel, estático mesmo, prestando o máximo de atenção àquela voz enquanto uma corrente elétrica percorria lentamente minha espinha. Puro prazer.
Como fiquei viciado em Ofélia, passei a apreciar a beleza de sua baixela e a discrição eficiente de Aparecida, sua assistente. Era o melhor programa da TV brasileira, quiçá mundial.