abril 18, 2002

Táiguer, táiguer...

O tal de Nietzsche, psicótico de papel passado e assinado, dizia que quem escreve por aforismos não quer ser lido, mas sim decorado. Não entendo a vantagem do artifício mas, vindo de quem vem, até que dá pra relevar.
Shakespeare, que só escrevia citações (é do Millôr), jamais deve ter pensado em tal idiotice. Já William Blake, que devia habitar uns dezoito universos, sempre quis parecer profundo escrevendo coisas do tipo:

"A luxúria do bode é a bondade de Deus."
"Aquele cujo rosto não se ilumina jamais há de ser uma estrela."
"A estrada do excesso leva ao palácio da sabedoria."

Para bom psicanalista, meia frase ambígua basta, o que explica o sucesso de certos autores. Quando eu perder os últimos preceitos morais que regem minha porca existência, farei sucesso com frases do tipo:

"O bom alimento é aquele que conversa com demônios."
"O ócio do jegue é a glória de Deus."
"Age com parcimônia no domingo, logo após às 2:40, e entre aqueles que gritam bingo."
"A gula é a inveja da avareza."
"A ira é a mentira da luxúria."
"Água que tem chorume, urubu pisa de manso."

Acredito que há grandes possibilidades de sucesso comercial.

Posted by Radamanto at abril 18, 2002 9:22 PM