Me peguei hoje, 17h19m , tendo saudades de Portugal.
No início não achei que aquele sentimento tivesse algo a ver com Portugal. Supus outro instinto se desabrindo em mim, uma bichice talvez... Não era o caso. Realmente eu sentia uma tremenda saudade de Portugal. O estranho é que, à exceção do Gato Fedorento, atualmente não leio quase nada que vem de lá. Por que, então, a saudade de Portugal? Eis minha tese sociológica: todo brasileiro tem saudade de Portugal. Escrevam aí: todo brasileiro tem saudade de Portugal. Até o brasileiro japonês e negro tem saudade de Portugal.
Sinto falta principalmente do rio que passa pela minha aldeia.
Também sinto saudade do Império Português. Mais ainda: sou sebastianista. É isso, sou sebastianista. Creio em Antônio Conselheiro e Lobo Antunes .
Aproveitei o sentimento e fui baixar uns fados no Kazaaaaa. Eu não deveria ter feito isso. Cada fado que eu ouvia era uma punhalada no peito. Acabei chorando, o olhar perdido no horizonte, fitando o leste melancolicamente. Ai, como eu gostava que uma caravela viesse me resgatar, Dom Sebastião pilotando a nave, levando-me de volta para minha terra.
Do Pessoa:
A Europa jaz, posta nos cotovellos:
De Oriente a Occidente jaz, fitando,
E toldam-lhe romanticos cabellos
Olhos gregos, lembrando.
O cotovello esquerdo é recuado;
O direito é uma angulo disposto.
Aquelle diz Italia onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se appoia o rosto.
Fita, com olhar sphyngico e fatal,
O Occidente, futuro do passado.
O rosto com que fita é Portugal.

Reparem no "olhar sphyngico e fatal" de Portugal.
Posted by Radamanto at novembro 7, 2003 7:45 PM