Vou contar essa história
Que sempre ouvi falar
É história muito triste
Dá inté pena de contar
A história do negrinho
Que morreu de trabaiá
(tchan-tcharan, tchan-tchan-tchan, tchan-tcharaaan)
Seu patrão, homem marvado
Um japonês enfezado
Botou o negrinho na roça
Pra puxá enxada e arado
Todo dia e toda noite
O negrinho era obrigado
A trabaiá sem descanso
Que nem pobre condenado
(tchan-tcharan, tchan-tchan-tchan, tchan-tcharaaan)
Debaixo de chuva e sol
O negrinho labutava
Puxando carro de boi
Carpino pasto na enxada
E o japonês, homem ruim
Olhava e dava risada
“Esse nego dá mais gosto
Que ver boi na invernada
Um só dele dá mais lucro
Que judeu em negociata”
(tchan-tcharan, tchan-tchan-tchan, tchan-tcharaaan)
Mas o tempo foi passando
E o negrinho adoeceu
O japonês, homem bruto
Mais sovino que ateu
Não socorreu o negrinho
Que de trabaiá morreu
(tchan-tcharan, tchan-tchan-tchan, tchan-tcharaaan)
E em seu leito de morte
Ouviram o nego dizendo:
“Japonês filha da puta
Me fez acabá morrendo
Eu que nunca tive culpa
Dele ter pinto pequeno”
(tchan-tcharan, tchan-tchan-tchan, tchan-tcharan
tchan-tcharan, tchan-tchan-tchan, tchan-tcharaaaannn)