Quando eu era criança, o passatempo preferido do pessoal da minha rua era brincar de “perfeição moral”.
- Vamos brincar de perfeição moral?
- Êêêêêêêêê!
E ia todo mundo brincar de perfeição moral.
Era assim: alguém assumia o papel do “sujeito de caráter duvidoso”, outro fazia o “canalha assumido” e um outro era o “cidadão impoluto, de reputação ilibada”.
O resto das crianças propunha dilemas éticos aos três personagens.
- Se você está andando na rua e acha um pacote de dinheiro no chão, o que você faz?
Primeiro respondia o canalha assumido:
- Enfio no bolso e saio logo dali.
- Só isso?
- Espio antes se não tem ninguém olhando.
Depois o sujeito de caráter duvidoso:
- Hmm. Eu olho em volta pra ver se o dinheiro não é de ninguém que está por perto, pergunto pras pessoas se o dinheiro não é delas. Se não for de ninguém, eu pego pra mim.
E finalmente o cidadão impoluto, de reputação ilibada.
- Pego o dinheiro e vou à delegacia entregá-lo às autoridades.
Aí chegava um negão e comia todo mundo.