No meu tempo de pequeno, os melhores dias eram os dias de circo, quando se viam as apresentações dos palhaços, equilibristas, economistas, gente que gosta de literatura, Rubinho Barrichello, Charcot e suas histéricas.
Charcot é do tempo de vocês?
O show do Prof. Charcot (“Prófi”) era ótimo. Mulheres que não engoliam a espada em poses insinuantes, ao som de Jean Michel Jarre e seu teclado com jatos de luz.
Charcot fazia as histéricas pularem através de um aro de fogo, enfiava a cabeça na boca delas, batia na bundinha, estimulava o clitóris, fazia o diabo. Charcot era o cara.
Numa das vezes que vi o show de Charcot, ele chamou um negão que... não, não. Troquei as memórias, sorry.
Mas, ahhh, teve uma vez que ele entrou num tanque com cinco histéricas, foi-lhes ao cu, xingou uma a uma e ainda fez uma delas equilibrar um objeto estranho no nariz. Pô, cês não têm idéia do que era o Charcot, galera.
Mas na verdade eu queria falar da pena de morte. Em todo país que a pena de morte é adotada, o condenado deveria poder reverter a pena. Não é reverter no sentido de “reverter a pena”, é no sentido de “”reverter”” mesmo (acabei de inventar as aspas duplas). Seria o seguinte: você, inocente, é condenado à morte. Vai para o corredor da morte.
Graças a Nosso Senhor, você consegue uma prova incontestável da sua inocência. Daí o juiz - ou o júri - que o condenou é inapelavelmente condenado à morte.
Quero ver o desgraçado que condenaria alguém à morte se a coisa fosse assim.