julho 23, 2004

Killing me softly

No meu tempo de pequeno, os melhores dias eram os dias de circo, quando se viam as apresentações dos palhaços, equilibristas, economistas, gente que gosta de literatura, Rubinho Barrichello, Charcot e suas histéricas.
Charcot é do tempo de vocês?
O show do Prof. Charcot (“Prófi”) era ótimo. Mulheres que não engoliam a espada em poses insinuantes, ao som de Jean Michel Jarre e seu teclado com jatos de luz.
Charcot fazia as histéricas pularem através de um aro de fogo, enfiava a cabeça na boca delas, batia na bundinha, estimulava o clitóris, fazia o diabo. Charcot era o cara.
Numa das vezes que vi o show de Charcot, ele chamou um negão que... não, não. Troquei as memórias, sorry.
Mas, ahhh, teve uma vez que ele entrou num tanque com cinco histéricas, foi-lhes ao cu, xingou uma a uma e ainda fez uma delas equilibrar um objeto estranho no nariz. Pô, cês não têm idéia do que era o Charcot, galera.
Mas na verdade eu queria falar da pena de morte. Em todo país que a pena de morte é adotada, o condenado deveria poder reverter a pena. Não é reverter no sentido de “reverter a pena”, é no sentido de “”reverter”” mesmo (acabei de inventar as aspas duplas). Seria o seguinte: você, inocente, é condenado à morte. Vai para o corredor da morte.
Graças a Nosso Senhor, você consegue uma prova incontestável da sua inocência. Daí o juiz - ou o júri - que o condenou é inapelavelmente condenado à morte.
Quero ver o desgraçado que condenaria alguém à morte se a coisa fosse assim.

Posted by Radamanto at julho 23, 2004 4:09 AM