novembro 30, 2004

Na minha época de faculdade, que é mais ou menos como dizer “na época em que estive condenado a trabalhos forçados na Sibéria”, nessa época tinha um sujeito muito estranho que apareceu para ter aulas na minha classe. Se não me engano, era aluno especial da Economia, e cursava uma matéria conosco para aumentar seus créditos em matérias optativas, o eterno flagelo do estudante de curso superior.
A peculiaridade desse sujeito estranho é que, quando ficava nervoso, tirava um consolo da sua bolsa-capanga e punha-se a chupá-lo com um gosto que causava admiração de ver. E isso ele fazia com uma falta de cerimônia que a pessoa pensava não haver naquilo nada de gay.
Freqüentava, acho, que a aula de Filosofia da Mente, que realmente punha nervoso qualquer um, pois se uma aula de Filosofia na faculdade já é causa para três úlceras de estômago, uma aula de Filosofia da Mente é capaz de fazer um mosteiro todo abandonar o budismo e sair quebrando cadeiras na cabeça de todo mundo. Claro que isso não era desculpa para a prática daquele “costume estranho”, que era como eu e meus amigos nos referíamos ao hábito de chupar consolo daquele aluno da Economia. Se ficava nervoso, por que não fazia como nós, pessoas civilizadas, e comprava umas magnésias bisuradas para mascar durante a aula? Não, o negócio dele era o consolo.
Uma única vez fui investigar o caso e me aproximei daquela criatura. Fui falar com “o do consolo” enquanto meus amigos olhavam de longe, a uma distância segura.
- Mas, rapaz, por que chupar consolo?
- Me acalma.
- Você só chupa quando está nervoso, então?
- Pra dormir também. Tenho um pouco de dificuldade pra dormir e fico chupando o consolo até pegar no sono. Me acalma.

Que eu saiba, fui o único a conversar com ele e isso foi tudo o que ele me disse.
Alguns alunos o apelidaram de "Maggie dos Simpsons", pois o barulho e o jeito que ele chupava o consolo realmente lembrava a Maggie dos Simpsons.

Posted by Radamanto at novembro 30, 2004 2:37 PM