
Cientista é alguém que, além de acreditar em átomo, cria um modelo atômico e o batiza de "modelo do pudim-de-passas".
Eu também queria morar num Universo da Nestlé, evidente, ou mesmo no mundo de Toddynho (ainda que eu desconfie que vá enjoar de tanto chocolate), mas daí a inventar um Universo baseado no "modelo do pudim-de-passas" e defender em congressos que estou falando sério vai uma distância.
Mas... digrido, pois a razão deste post é comentar uma notícia a respeito do corpo do poeta Petrarca:
Poet Petrarch Loses His Head
by Rossella Lorenzi, Discovery News
The remains of who was thought to be the Renaissance poet Francesco Petrarch are instead those of two different people, DNA tests have confirmed.
Analysis of a tooth and one of the ribs exhumed from Petrarch's tomb in Arquá Petrarca, the village near Padua where the poet died in 1374, showed that they belonged to a man and a woman.
(…)
"DNA tests confirmed what we thought as we saw the skull: it could not belong to Petrarch. The contours above the eyes and below the ears are indeed typical of a woman. On the contrary, there is no doubt about the body," lead scientist Vito Terribile Wiel Marin, professor of pathological anatomy at the University of Padua, told Discovery News.

Vejam só o preconceito e falta de imaginação do cientista: porque a cabeça é de mulher e o corpo é de homem, ele conclui apressadamente que a cabeça não é do Petrarca. Ele nem sequer propõe a primeira e mais evidente hipótese: que Petrarca, afinal, tinha cabeça de mulher e corpo de homem. "Mas tal coisa jamais existiu", dirá o amigo sem imaginação, e é nesse momento que saco meu grosso volume de Hume e começo a espancar o amigo sem imaginação com o livro, fazendo triunfar a filosofia sobre a ciência.
Além do mais Petrarca tinha, sim, rosto de mulher, como atesta sua mais conhecida gravura, que pus aí ao lado para vossa apreciação.