Os historiadores acham que para a História ser científica, ela tem que ser neutra, a mais neutra possível pelo menos (mesmo que os pós-moderninhos não admitam).
E entendem que neutralidade não é a tentativa de objetividade, de impessoalidade, mas uma espécie de empate em tudo.
Tiraram a idéia de neutralidade das ciências experimentais e a adaptaram da maneira mais cretina, só para posar de ciência.
O historiador fala da Grande Guerra, por exemplo, e faz questão de dizer que não há mocinhos nem bandidos, que no fundo são todos iguais (o sumo critério que elegeram para poder empatar todas as questões é o interesse, essa palavra tão manipulável, principalmente nas qualificações-chavão "interesse político", "interesse econômico" ou o curinga "interesse estratégico", no jargão pobre de dar dó dessa gente).
Em qualquer situação, todos têm seus interesses, e só agem para defendê-los, e sai todo mundo empatado (moralmente empatado, principalmente, para não ferir a sensibilidade e a neutralidade de ninguém).
Quando um historiador consegue explicar um evento provando que todo mundo era a mesma coisa - depois, claro, de infinitas embromações e relativizações decorativas -, julga que fez ciência e vai sacar o dinheiro da FAPESP sem dor na consciência.
Dar razão a todo mundo e a ninguém foi a maneira miserável que a História encontrou para se achar científica.
Pior que depois nego vem reclamar do revisionismo.
Não à toa não tomam banho.