agosto 26, 2005

OS AQUEUS (Ato IV, cena III)

ENTRA O SACERDOTE, VOLTANDO DO ORÁCULO

O SACERDOTE
- Olha só: fudeu!

O CORO
- Como assim, ó sábio?

O SACERDOTE
- Fudeu... Fudeu, fudeu, fudeu. Fu-deu!

O CORO
- O que dizes?

O SACERDOTE
- Me ligaro e dissero que a casa caiu.

O CORO
- Explica tu.

O SACERDOTE
- Nóis tamo tudo fudido. Dero uns teco no Maneco e barbarizaro com a cabeça dele ainda. Serraro no arame. Diz que jogaro bola e tudo. Depois queimaro ele no pneu. Eu falei pra ceis não mandá o Maneco, aquilo era uma besta.

O CORO
- Atena nada fez por nós?

O SACERDOTE
- Bosta nenhuma! Disse que qualquer churrasco na casa do Apolo é mais agradável a ela que "esses holocaustos vagabundos que me oferecem". Pelo jeito ela fechou com os cara. Entrou pro Comando, a piranha.

O CORO
- Oimoi! Oimoi!

O SACERDOTE
- Mas o Cigano tá articulano. Ele tem uns truta no Olimpo que tão trabalhano a mente do Maioral. O Cigano é responsa, não é oreiudo igual o Maneco. Mas se eu fosse vocês eu dava um migué e saía de circulação. Sabe como é, "seguro, morreu de velho", como diria a bicha velha do Tirésias.

O CORO
- Como haveremos de abandonar a cidade, ó sábio adivinho? Para onde vamos?

O SACERDOTE
- E eu sei lá? Nem te conheço, macacada. Eu vou de táxi, cê sabe, como diria a Angélica. Uns chegado meu já me oferecero um canto lá pros lado de Araraquara. Mas eu tô avisano que quando o Olimpo descer pro asfalto vai ser um pega-pra-capá que nem o Hesíodo pensou em ver.

Posted by Radamanto at agosto 26, 2005 1:15 AM