TODOS
“Vim da Bahia, meu nome é ninguém
Cê fosse viado, cê dava pra quem?”
todos de pé
TODOS
“Vim da Bahia, meu nome é ninguém
Cê fosse viado, cê dava pra quem?”
O CELEBRANTE
“Sou índio, sou forte, sou filho do Norte
Meu grito de morte, guerreiros ouvi”
TODOS
“Vim da Bahia, meu nome é ninguém
Cê fosse viado, cê dava pra quem?”
O CELEBRANTE
“Não comerei d’alface a verde pétala
Nem da cenoura as hóstias desbotadas”
TODOS
“Vim da Bahia, meu nome é ninguém
Cê fosse viado, cê dava pra quem?”
O CELEBRANTE
“Tinha uma pedra no meio do caminho
Do lado de lá o sertãzinho de Caxangá”
TODOS
“Vim da Bahia, meu nome é ninguém
Cê fosse viado, cê dava pra quem?”
RENATO
“Esse coqueiro que dá coco
Nas noites claras de luar
A minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá”
TODOS OS BRASILEIROS
sentados
ENTRA O PAU-BRASIL
(con esaltazione)
“O a me, sceso dal trono
dell'alto Paradiso,
guarda ben fiso, fiso di tua madre la faccia!
che ten resti una traccia, guarda ben!
Amore, addio! Addio! Piccolo amor!”
(con voce fioca)
“Va, gioca, gioca!”
ENTRA ZAGALLO E ABRAÇA O PAU-BRASIL
“Voa, canarinho, voa
Mostra pra esse povo que és um rei
Voa, canarinho voa
Mostra lá na Espanha o que eu já sei
Verde, amarelo, azul e branco
Forma o pavilhão do meu país
O verde toma conta do meu canto
O amarelo, azul e branco
Fazem o meu povo feliz
E o meu povo toma conta do cenário
Faz vibrar o meu caralho
Enaltece o que ele faz
Bola rolando e o mundo se encantando
Com a galera delirando
Tô aí e quero mais, mas vôôôa”
ENTRA O DEUS SEX-MACHINA
“Ave dolorosa!
Ave perdida para sempre - crença
Perdida - segue a trilha que te traça
O Destino, ave negra da Desgraça,
Gêmea da Mágoa e núncia da Descrença!
Dos sonhos meus na Catedral imensa
Que nunca pouses. Lá, na névoa baça
Onde o teu vulto lúrido esvoaça,
Seja-te a vida uma agonia intensa!
Vives de crenças mortas e te nutres,
Empenhada na sanha dos abutres,
Num desespero rábido, assassino...
E hás de tombar um dia em mágoas lentas,
Negrejadas das asas lutulentas
Que te emprestar o corvo do Destino!”
UM CAIXÃO É ATIRADO NO PALCO COM ESTRONDO, BALÕES EM FORMA DE CORAÇÃO CAEM DO TETO E COBREM O CENÁRIO, ENTRA A MÚSICA ROBOCOP GAY EM MÁXIMO VOLUME, OS ATORES AGRADECEM O PÚBLICO (CRUZANDO AS MÃOS COM OS POLEGARES UM CONTRA O OUTRO E MÃOS ESPALMADAS SOBRE O PEITO IMITANDO UMA POMBA), DESCE O PANO
* se houver quem se habilite a integrar o elenco, topo encenar desde já. Como autor e pessoa cheia de ginga que sou, requeiro o papel de Zagallo.