Diógenes teve sorte de poder demonstrar a estupidez de Platão jogando uma galinha depenada na praça e dizendo "Eis o homem de Platão". Digo sorte porque o argumento podia ser bem mais trabalhoso. Por exemplo, podia acontecer de ele ter que enfrentar o Buridan, caso em que teria que dizer "Eis o asno de Buridan", e atirar um asno depilado ou um político, ou algo assim na praça, muito mais pesados.
Discussão boa você encerra assim, atirando alguma coisa no meio da platéia.
Eu, se freqüentasse congressos científicos de física, começaria minha palestrinha atirando um pudim de passas na platéia: "Eis o modelo atômico que vocês já propuseram, palhaços!", diria, e tenho certeza que mentalmente muita gente ia concordar comigo ali. "É, até que o rapaz do pudim tem razão".
Da mesma maneira queria voltar no tempo levando o Juruna comigo. Apareceria num elegante convescote iluminista com meu amigo Juruna, e quando aqueles fresquitos começassem a falar de bom selvagem eu jogaria o Juruna no meio deles: "Eis o bom selvagem dos iluministas". Mesmo que eles não entendessem nada, principalmente por que diabos aquele índio está de paletó e segurando um gravador, o efeito paralisante do Juruna no meio do cenário já me daria vantagem na discussão.
i) Este estratagema chama-se "do Juruna" e, quando possível, deve ser utilizado como primeiro recurso numa discussão, aproveitando o elemento surpresa.
ii) Nunca entre em discussões em que o "do Juruna" não possa ser aplicado, casos em que se indica a agressão física (não gratuita, mas "apenas como meio de possibilitar o diálogo", como preconizava Raimundo Lúlio).