agosto 29, 2002
The most intelligent man of the world ever
O homem mais inteligente do mundo mora em Muzambinho, interior de Minas.
Chama-se Raimundo Lúlio de Oliveira. Entre outras proezas, conseguiu conciliar as vertentes da Física moderna, superou as dialéticas várias e criou o conceito de Eterno Devanir. É modesto e prefere não comentar tais assuntos quando inquerido a respeito. Vive feliz com sua mulher e seus dois filhos. À tarde, gosta de passear com seu cachorro Aristóteles.
agosto 26, 2002
agosto 25, 2002
Seis propostas para o novo milênio
1) Substituir as novelas por filmes pornográficos.
2) Adotar a tortada na cara como punição legal.
3) Liberar o uso de Paulo Maluf.
4) Mudar o regime para teocracia parlamentar.
5) Liberar e incentivar o uso da hipnose na propaganda eleitoral.
6) Ensinar as crianças a montar bem a cavalo, manejar o arco e nunca mentir.
E mais estas:
1) Adaptar todos os diálogos do Platão para o teatro e tornar sua encenação obrigatória no pré-primário.
2) Destinar 40% do orçamento público a “ações que promovam a gandaia, a baderna e a farra generalizada”.
3) Tornar o trabalho moralmente reprovável.
4) Adotar o palmômetro como critério de desempate em decisões judiciais controvertidas.
5) Imediata anexação do Brasil ao Paraguai.
6) Substituir os gritos de “bravo!” por “massa!”, “louco!” ou “irado!”.
agosto 24, 2002
Rita Lee faz campanha para proibir os rodeios. Acha uma crueldade. Vou começar uma campanha para proibir Rita Lee ou, pelo menos, para incentivá-la a usar drogas novamente. Deve ser legal endossar uma campanha. Coisas como “adote um cisne”, “morra fazendo beicinho” ou “pela ética na pintura abstrata” são campanhas que me deixariam feliz. Dizem que ética é quando a gente faz as coisas não com medo de apanhar, mas pela adesão metafísica ao bem. Acho ética um negócio mais simples: é uma campanha do PT e é uma disciplina que dão nas faculdades. Passei em ética (com cinco bola, é verdade, mas passei). Ergo, sou ético.
Ético, bem apessoado, estatura mediana, procura maniqueísta loira para fazer coisas.
Mania de perseguição
Não sou disso, mas de vez em quando eu me sinto perseguido por algumas pessoas.
Tipos que me incomodam: pessoas que ficam tentando nos pegar com o "argumento do terceiro homem", esses eleatas safados. Prefiro o pessoal de Crotona, que pelo menos sabe lutar boxe e quando não gosta de alguém trata logo de expulsar ou dar cabo do sujeito. Outro tipo que me persegue: a gente não pode pensar na corrupção dos seres em paz que logo vem um kantiano apontando juízos a priori pra nossa cabeça. E se a gente reage, cometem suicídio na nossa frente e saem dizendo que nós é que morremos. Gente besta...
Tentava ler a Metafísica (do canalha), mas a locutora da livraria anunciou que logo ao meu lado ia começar "a oficina de estórias da Professora Suely, com estórias inéditas e encantadoras". Pensei em dar um chute na bunda de Suely e começar a ler os Solilóquios do Sto. Agostinho pra aquela cambada de anões incultos. Mas os livros de Direito apareceram sob o foco de minha visão e resolvi conter o ímpeto. Poderiam me confundir com algum seminarista pedófilo e até eu explicar que Sto. Agostinho não é pornografia já estaria puxando 20 anos de cadeia.
agosto 20, 2002
Amigo é coisa pra se guardar
1) Meu melhor amigo dirigiu a mim um comentário que me deixou intrigado. "Você é um bosta", disse fazendo cara de nojo. É isso aí, amigos são pra essas coisas, Plutarco sabia disso. Só não gosto quando minha analista diz que eu tenho inveja de mim mesmo.
2) Nunca encontrei ninguém que tivesse levado porrada. Já encontrei, sim, gente que confessou abertamente ter votado no Lula. E um cara que me disse que sonegar imposto era imoral. Morar no Brasil é legal porque o pessoal mantém o bom humor.
Borges II
Os seres humanos se dividem em: risonhos, capazes de passar sem cigarros, altaneiros, que cuidam de jardins, mortos, que acabaram de chegar em casa, separados por longas distâncias, que estão escrevendo uma carta, animais, atingidos por um projétil durante uma batalha, desconfiados, mais altos que os demais, transtornados por visões.
O silêncio desses espaços infinitos
"O silêncio desses espaços infinitos me apavora", dizia Mr. Milagre do Espinho. Confesso que também fico apavorado diante de questões que me remetem ao Grande Enigma. Sinto zumbidos no ouvido e cosquinha no cotovelo quando meu cérebro faz a si certas perguntas. Ultimamente ando encafifado com um mistério aparentemente insolúvel. É o seguinte: Por que comprei um óculos que me deixa com cara de idiota?
Havia vários lá na ótica, de todos os tipos. Quarenta e duas cores e sessenta e sete modelos e eu escolhi justamente este que me deixa com cara de quem freqüenta locadora de vídeo. Tudo bem, já fiz pior. Comprei um livro do Mário Prata (mas eu estava morrendo de dor de dente) e já assisti a O Morro dos Ventos Uivantes. E teve uma vez que me esforcei pra fazer um trabalho de faculdade decentemente. Mas nada até agora me intrigou tanto. Por que este óculos, Senhor?
