setembro 17, 2002
Auto-lambição
Gosto de ser engraçadinho nas aulas da faculdade, o que me rende vários dissabores. Vira e mexe vem um professor me chamar pra ter uma conversinha no gabinete. Isto, claro, não adianta nada. Melhor que ser engraçadinho na sala de aula é ser engraçadinho na sala do professor. Já ouvi pronunciamentos curiosos da parte dos mestres. Exemplos:
1) “Você acha que deve passar?”. Resposta: “Mas é evidente”.
“Quanto você acha que merece?”. Resposta: “Mais que cinco me deixaria humilhado”.
“Você deve ter poucos amigos, sendo sarcástico como é”. Resposta: “Pelo contrário, tenho muito mais amigos que você”.
(Ela acabou me dando a nota mesmo. Daí três meses encontrei-a numa festa. Pergunta dela: “Mas diga, sinceramente, o que você acha da minha disciplina?”. Resposta: “É uma merda. E nem sou só eu, todo mundo diz que é uma merda.” Comentário: “Os outros alunos nunca me disseram isso.” Resposta: “Todo mundo quer passar, né? Mas tenha certeza que todo mundo te detesta e acha uma merda a sua matéria”.
Mais três meses e ela veio perguntar de novo, numa outra festa. Me tirou pra dançar e, durante o rala-coxa, perguntou de novo: “E aí, acha mesmo minha disciplina uma merda?”. Resposta: “Ah, sim. Claro, claro.” Velha nojenta.)
2) “Leia isto”, entregando minha auto-avaliação. Resposta: “Hm, terminei”.
“O que você acha disso?”. Resposta: “Bem, já escrevi melhor, o estilo está meio confuso e eu escrevi “pedra de Rosetta” com erre minúsculo, o que está errado, já que Rosetta é uma cidade”.
“Não estou falando sobre isso”. Resposta: “Ah, não? O que então?”.
“Por que um aluno de quinto ano escreve uma, uma, uma... coisa dessas?” Resposta: “Eu fui sincero, minha filha. Não é ironia, é o que eu penso. Não podia?”.
“As pessoas se sentem agredidas com essas coisas”. Resposta: “Você se sentiu agredida, quer dizer”.
“E como não me sentiria?”. Resposta: “Sendo mais inteligente e percebendo que não é pessoal, é contra o sistema, sabe? O sistema.”
“Bom, eu só queria que você soubesse”. Resposta: “Tudo bem, já sei. Quer tomar um café?”
“Não. Até mais.” Resposta: “Até mais, foi um prazer”.
(Com essa eu nunca mais pego estágio. Pior, ela agora tem relevância política na faculdade e certamente vai vetar todos os meus recursos de quebra de pré-requisito).
3) Diante do meu braço levantado para pedir a palavra na sala de aula: “Não, você não! Pelo amor de Deus, né!”.
Meu intuito sendo engraçadinho é simples. Primeiro, claro, é divertido. Depois, eu quero que o professor prefira minha ausência a minha presença (pra eu ficar leve e folgado, escrevendo este blog pra vocês, pessoas gracinhas).
setembro 16, 2002
Civitate Dei
Fui assistir Cidade de Deus. Honestamente, achei o filme pouco fiel ao livro. Faz muito tempo que eu li, mas não me lembro do Sto. Agostinho falar em favela ou Zé Pequeno no livro. Vai ver é uma interpretação livre da obra, uma "transcriação poética", como diz o outro. Vai saber...
setembro 9, 2002
Coisas que me fizeram feliz
Coisas que me fizeram feliz ultimamente:
Uma raquete eletrificada de matar mosquitos.
Uma gosma que desce pela parede e brilha no escuro (dei de presente).
Um repelente sônico contra mosquitos.
Um balão de hélio em forma de dinossauro (está murcho, usei o hélio para fazer voz de Pato Donald).
O telejornal do Boris Casoy.
Idiotices:
Comprei Ser e Tempo (vai ser queimado no meu próximo Sabá Nazista trimestral).
Estou cursando Técnicas de Entrevista (dãããããããã!!).
Estou correndo um quilômetro por dia.
É como a gota de orvalho numa pétala de flor
Por esses dias alcancei a felicidade plena (não, não é de você que eu tô falando, convencida!). Acontece que eu comprei uma raquete eletrificada de matar mosquitos. É divertido torrar os mais variados gêneros e espécies (do Anophelles ao perigoso Aedes, transmissor da Aids, todos sabem). Desde que comprei o divertido instrumento de prazer, infelizmente não achei sequer uma barata (estou louco pra torrar umas das gordas). Alguns insetos explodem imediatemante quando em contato com a grade eletrificada, o que me faz rilhar os dentes de prazer. Só fui mais feliz quando lançaram a Super Bonder e eu colava moscas e baratas na mesa (o que criou minha fama de anti-higiênico na família) ou quando comprei um litro de ácido sulfúrico para exterminar lentamente a fauna parasita da minha casa (para este fim também já usei lupas, isqueiros e uma aranha ensinada).
Mas meu sonho, confesso, é encontrar uma lagartixa bem macia. Só aí vou saber se foi bom negócio essa raquete.