novembro 30, 2002
Fama
Queria figurar em primeiro numa lista assim:
1º Radamanto
2º São Tomás de Aquino
3º Michael Jordan
4º Cazuza
5º Mário Ferreira dos Santos
6º Gretchen
7º Leonardo Da Vinci
8º Maurício Mattar
9º Jackeline Kennedy
10º Platão
Não seria nada mau, hein?
Uma página didática sobre religião,
Uma página didática sobre religião, atentem para a beleza das ilustrações.
novembro 29, 2002
Querido diário
Passei o dia todo andando de cueca samba-canção pela casa, comendo espetinho de frango com ketchup e ouvindo syrtaki: hoje estou metafísico.
A única pessoa com quem conversei foi com a mulher que vem limpar a casa. Pediu-me para ir embora, passava mal. “Tudo bem”, respondi, “e amanhã você vem?” “Amanhã não, amanhã eu vou abortar e não vai dar pra vir”.
Às 14:47 lembrei-me da classificação do Glorioso, não foi um mau jogo afinal. O bar estava cheio de sãopaulinos mas tinha até um grupinho de santistas, do qual fiquei à parte.
Às 15:32 veio-me à mente São Bernardo, do Graciliano. Fiquei me comparando com o tal de Paulo Honório, e depois eu comecei a pensar se Espinosa mereceu a excomunhão de fato.
Depois não pensei nada, e depois pensei se gostaria de ouvir algo diferente de syrtaki.
novembro 27, 2002
Vou escrever sobre psicologia
Vou escrever sobre psicologia. Estou com preguiça (já faz dias, ou décadas, depende do ponto de vista). Vou ser sucinto.
Houve uma época em que eu era doente e lia quatorze, dezesseis horas por dia, todo dia meses a fio. Isso não é pedantismo pois, vejam: lia quatro, cinco horas de Mário Ferreira, Reale, Ari, "Clássicos do meu saco", literatos viados do século passado e de antes de Cristo, etc. O resto eu lia Veja, Época, Isto É, Caras, Superinteressante, Times, New Yorker, Newsweek, Folha Explica o Malufismo, Charutos, Gramática Latina Gradus Secundus, Pleasures of Sodomy, O Livro Negro Do Meu Caralho Pintado de Azul, Traçando Roma, etc.
Bem, o que interessa é o seguinte: eu freqüentava tanto aquela porcaria de livraria que o gerente até hoje me chama pelo nome e sempre pergunta se eu passo bem. As funcionárias do café também me tratam como velho conhecido (sem intimidade, pois não permito, na medida em que são feias).
A história:
Naqueles tempos em que eu ia diariamente àquela joça, num sábado (lembro bem), eis que chego à porta da livraria e encontro dezenas, centenas talvez, de jovens histéricas gritando e se descabelando. Fiquei intrigado.
Enquanto coçava a cabeça, tentando solucionar o problema (sou meio lerdo quanto ao comportamento feminino), se aproxima de mim um funcionário daquela loja.
- Você quer ler, né?
- É, cara, eu queria. Que merda é essa?
- O KLB tá aí dentro.
- Quê? (ainda não faziam tanto sucesso a ponto de aparecer na Veja)
- KLB.
- Quê?
- Ah, é uma banda aí.
- De quê?
- Ah, tipo, sabe aquela música (e canta um pedaço pra mim).
- Sei não.
- Dane-se. Você quer entrar pra ler, né? Eu te vejo aí todo dia.
- Quero.
- Então vem aqui.
O sujeito me levou por fora do shopping, pela porta de entregas da livraria. Mas não é que na porta de entregas tinha também dezenas, centenas, de adolescentes histéricas?
Tivemos que abrir espaço na marra naquele mar de malucas.
Subimos uma escadinha das docas, eu sempre junto do sujeito. Ele bateu na porta e a porta se entreabriu. A cabeça de um segurança preto, cabelo justinho. Umas meninas gritam:
- Ei! Por que ele vai entrar?
- Ele é funcionário - responde o sujeito.
- É, eu sou - confirmo eu.
- Cadê a roupinha de funcionário? - as meninas, desconfiadas.
- Tá lá dentro, né - arremato eu.
Entramos.
Agradeci o cara e fiquei achando interessante aquela coisa toda.
De cliente normal, só tinha eu na livraria. O resto, tudo louca e funcionário.
A porta da frente da livraria estava fechada, quer dizer, tinha controle de fluxo: saíam vinte histéricas pela porta do fundo (das docas, pela qual entrei), entravam vinte histéricas pela frente. Zanzei pela livraria procurando um livro qualquer pra ler. Me decidi por Nietzsche vs. Wagner, curiosidade.
Fui me sentar no café vazio. Em frente ao café, KLB. Ao lado do café, fila de meninas gritando num agudo tão alto que, olha... As louquinhas passavam pelos KLB para abraçá-los, beijá-los, algumas tirar fotinha, pegar autógrafo... Todas, TODAS choravam. Tentei ler sem dar bola para aquele circo. Incrivelmente não consegui (leio até em show de banda de heavy-metal sem me incomodar). Era muito agudo (quem me conhece pessoalmente sabe da minha ojeriza por som agudo).
Como não dava pra ler, fui conversar com as funcionárias do café. Eu:
- Cês conhecem esses caras?
- Não, mas diz que é famoso.
- Pô, hoje danou-se! Não vai ter mais paz?
- Eles vão embora daqui meia hora.
- Ah, que beleza.
Continuei conversando, uma hora com uma, uma hora com outra funcionária. As menininhas louquinhas gostosinhas de dentro gritavam e choravam; e as de fora forçavam a porta de vidro, apesar da corrente de seguranças. "Aquela vidro vai estourar", pensei eu - e vi que seria bom.
De repente, uma das funcionárias do café começa a chorar convulsivamente. Eu me espanto, as outras funcionárias se espantam, todo mundo em volta se espanta e faz-se um silêncio dos espantados. Tomo a iniciativa:
- Tá chorando por quê?
- Ai... (choro). Não sei... (choro convulsivo). Eu vi todas elas chorando e... (choro) Me deu vontade de chorar (choro).
- Mas você disse que nem sabe quem são os caras aí, os KLB.
- Mas, ai... (choro). Todo mundo chorando... elas chorando (choro, choro, choro).
As outras funcionárias a abraçam carinhosamente.
Nesse dia descobri uma verdade. Figura no meu catálogo como a de número 42.
novembro 21, 2002
Eu sou mais humilde que você!
Essa história de brasileiro com humildade é das coisas que acho perigosas. Coisa de povo cagão e invejoso.
Exigem que o elemento, apesar de evidentemente superior, seja mansinho e não fique lembrando as pessoas de seu fracasso. O que era pra ser uma simples atitude educada vira uma obrigação besta.
A mim, podem me humilhar à vontade, desde que banquem o cacife. Óbvio que a empáfia me irrita, mas também me irrita quem fala "própio" e quem usa perfume doce.
Um amigo que há muito não vejo veio estudar aqui no sertão há tempos atrás. Era insolente como ele só, esnobemente doce. Veterano vinha dar trote todo feliz e ele: "Vai dar trote na tua mãe. Quem você pensa que é pra pôr suas mãos caipiras em mim?". Veterano queria morrer, mas não encarava. Quiseram isolá-lo socialmente; plano mais que fracassado.
Era bastante odiado, mas conseguia o amor incondicional de quem não julga os outros por besteira. Dava pra notar que muitos sentiam-se automaticamente humilhados à mera aparição de sua arrogante figura. Rangiam os dentes e saíam de perto, numa autoderrota muda.
Não sou dos mais arrogantes, até porque não tenho muito do que me gabar (a não ser de que toco a Nona num canudinho de refrigerante). Uso a arrogância mais por recurso humorístico, pra fazer charme. No entanto, não nego que sinto infinito prazer quando apelo pra certos expedientes durante uma discussão. E.g.:
- Você acha que entende mais do assunto que eu, então?
- Ahã.
- Você se acha o tal, né?
- Sim.
- Se acha muito melhor que eu.
- Olha, meu amigo, vamos parar com obviedades e voltemos à vaca fria. Qual foi a última idiotice que você falou mesmo?
Reafirmo que é só recurso estilístico. E um pouco de retórica erística, talvez.
Não tem brasileiro que não perca a calma diante de uma exibição de autovaloração. Brasileiro nervoso é muito engraçado.
novembro 20, 2002
Resposta da questão 3.
Hoje fiz prova de técnicas de entrevista. É sério.
Eis uma lista de alguns comportamentos do entrevistador que podem dificultar a comunicação de informações relevantes por parte do entrevistado:
- Rapport mal feito.
- Desnível de linguagem.
- Revelar emoções que possam induzir o entrevistado.
- Demonstrar desinteresse pelas respostas do entrevistado.
- Usar um tom monocórdio (Robocop, Hal-9000, Exterminador do Futuro), sem emoção.
- Demonstrar nojo ou desprezo pelo entrevistado.
- Tratar o entrevistado por “mano”, “véio”, “fiu” ou “sua vadia”.
- Atirar objetos pontudos no entrevistado.
- Bater no entrevistado com uma caneca.
- Intercalar as perguntas com propostas sexuais e “piscadinhas” para o entrevistado.
- Falar com a boca cheia de farofa, atirando farofa no entrevistado.
- Falar cuspindo no entrevistado.
- Ficar dizendo “você só pode estar brincando” após as respostas do entrevistado
Se eu não tirar 10 na questão é muita insolência do professor.
novembro 19, 2002
Meu cérebro poderoso me avisa
Meu cérebro poderoso me avisa de que não devo falar certas coisas. “Você devia lembrar daquela noite em Salamanca” - diz, ativando algumas áreas da memória.
Às vezes meu cérebro sai pelas narinas e vem sentar sobre meu ombro esquerdo. Nessas horas, insiste para que eu o chame de Polly Parrot.
Ele não pode ficar muito tempo sobre meu ombro, pois fica ressecado rapidamente.
Quando ele quer bater um papo mais longo, fico jogando agüinha em cima dele, mas mesmo assim ele não pode ficar exposto muito tempo.
Fui mais feliz às três da tarde
Alguns professores desta faculdade têm a insolência e a ousadia de me reprovar.
Me convenço cada vez mais que ser doutor é coisa de pobre de cidade pequena do interior.
E aí, mano? Virou doutor. E agora? Que faz com esse canudo? Se quiser tenho sugestão.
Acabei de assistir palestra de doutorzinha em psicologia. Gerundismos em torrentes e ignorâncias várias. Minha tia Neuza é que merecia um diploma. Com louvor, evidente.
A escola me prestou até a “lição da bola”. Depois que eu peguei o esquema, o resto eu fiz sozinho.
O recorde do gerundismo: “a gente pode estar tentando pensar fazer tal coisa”. Juro que ouvi.
O fino da bossa
E já que eu estava falando sobre música, vamos falar de música.
Inicialmente, agradeço Dante Gabriel pela graça alcançada. De fato, Squirrel Nut Zippers é uma banda do balacobaco. Andam me convidando pra ir a festas só pra eu aparecer com o CD. Ghost of Stephen Foster é o auge da balada! Hell também é ótima. Atirei no abismo meus infinitos Duke Ellingtons.
Outra coisa, já que estamos em tempo de Paulo Francis: tem uma banda de Recife, chamada Paulo Francis Vai pro Céu (nem sei se existe mais). Só ouvi a música que dá nome a banda, e vi que era boa. O problema é que não consigo achar, nem no Kazaaaaaa. Eu só queria essa música, se alguém souber...
A onda Paulo Francis me atingiu: hoje fiquei lendo O Soldado Fanfarrão e assisti àquela seleção do Manhattan Connection feita por ocasião do passamento de Francis. Também vi entrevista no Roda Viva, a última delas. Francis é engraçado, principalmente quando fala bosta. Na entrevista do Roda Viva, por exemplo, diz que Platão tinha "uma prosódia invejável". Mas como ele sabe?!
Mas... música:
Para quem gosta de música de movimento regional, indico Tubaína do Demônio, banda de Birigüi que canta os valores da nobre região do noroeste paulista. Pra quem não sabe, em Birigüi inventou-se o Biribol, aquele vôlei dentro da piscina, sendo que uma das músicas da banda, Biribol, homenageia o nobre esporte.
Outras músicas da banda:
Tubaína do Demônio
Bauru X Bigmac
Deus e o Diabo em Sorocaba
Vem, neném, pra Itanhaém
A espanhola morena de Dracena (N.R. Dracena é uma cidade do noroeste paulista)
Jamaica... não é Birigüi
War for Birigüi
De Queluz eu não passo (N.R. Queluz é outra cidade da região)
Fico feliz por ver minha região natal tão bem representada artisticamente.
***
Aí abaixo, a letra de uma música engraçadinha, perfeita para ouvir durante o flerte, principalmente quando se está já meio chapadaço de cachaça.
Baile Perfumado
Veneno, faz o mundo girar
Um calafrio de medo eu não posso evitar
Quando ela espalha o seu doce perfume
Sinto no peito a paixão e o terror
Se alguém soubesse o que me passa
Ao vê-la alegre dançando
Me invade um cheiro de morte
Sinto loucura no ar
Quando ela chega e pede um tango
Me perco todo em seu rastro
Não há razão nem virtude
Só o seu sabor, flair d'amour
novembro 18, 2002
Quantos pecados se pode cometer de uma vez?
O pensamento é o seguinte.
Por exemplo:
Dar um tiro num inocente aleijado e cego, pegando-o na trairagem, estando envolvido numa trama sórdida que tem por fim um benefício mesquinho. O tiro é dado enquanto se copula com a mãe, em meio a blasfêmias, abjurações e imprecações vis, segurando na outra mão um crucifixo e um cheque sem fundos que alguém está recebendo naquele momento. Esta pessoa que está recebendo o cheque é um delegado que o está interrogando e a quem, entre uma blasfêmia e um xingamento, você dá falso testemunho sobre um fato que sequer presenciou.
O dia é uma Sexta-feira Santa e, enquanto você faz tudo isso, recebe de um excomungado pedaços de picanha mal passada e algumas hóstias, que vai mastigando de vez em quando.
Quase ao final da cópula, interrompe-se o coito e derrama-se as sementes no chão, no que é ajudado pela mãe.
novembro 17, 2002
Assumido numa boa
Tenho, por assim dizer, um talento oficial para a idiotice. Acho fácil alguém se destacar na música, literatura, pintura, essas coisas de boiola. Isto simplesmente porque a competição é quase inexistente, poucos realmente têm talento, e quando aparece algum sujeito muito bom nessas coisas, passa tão despercebido quanto um cometa.
Já em relação à idiotice a competição é feroz.
Só alguém especialmente dotado pela natureza, como eu, consegue sobressair-se.
Deveria tatuar na testa "idiota" e sair com bigode e óculos de Groucho Marx; e colocar um papelzinho escrito "chute-me" nas costas. Me apresentaria assim nas esquinas, segurando uma tuba e rindo com os dentes cerrados e a boca esgarçada.
Ou, em vez de ficar nas esquinas, me dirigiria ao pleito mais próximo.
Logo após nascer, diz a lenda, levei a mão à testa e exclamei com ar de constatação óbvia: "ih... agora já era". Minha mãe diz que foi assim, mas há desmentidos. A versão da enfermeira é "ih... se dei mal". Mas isso não interessa. O que interessa é que nunca tomei uma atitude que Bacon, Plutarco ou Santo Agostinho aprovassem (o Sto. Agostinho talvez aprovaria algumas). E minha analista só sabe abanar a cabeça lateralmente e fazer "tsc, tsc, tsc" a cada vez que eu abro a boca.
Hoje estou especialmente idiota, como podem ver. A dúvida é se restrinjo meu gênio ao ambiente recluso de meus aposentos, privando assim a humanidade de algumas demonstrações de arte e engenho, ou se saio por aí a desfilar o talento.
Bem, ainda não sei. De qualquer forma, acabarei forçosamente optando pela opção mais idiota. O texto basta por enquanto.
And now my friend... you die
Antes de morrer, o suicida pensou:
“Sim, dá pra sentir a bala entrando na cabeça...
mas isto é um fato incomunicável”.
novembro 7, 2002
“Morte aos infiéis!” - gritava Osvaldo do telhado.
“Desce daí, indecente!” - insistia Dilinha, sua mulher, da calçada.
“Morte aos infiéis!”
“Ô, dona, desculpa mas vai ter que ser tiro de tranqüilizante” - dizia o policial.
“Espera um pouco, vai ver eu consigo tirar ele de lá. Já é a décima vez que ele faz isso e tem vez que eu venço ele pelo cansaço. Desce daí, criatura!”
“Morte! Morte a todos os infiéis!”
“O que ele é? Crente, judeu, aquelas coisas de Bin Laden?” - o policial.
“Nada. Ele não é nada. É um palhaço, isso sim. Já ficou aí em cima gritando “ajoelhem-se, plebeus”, “o fim está próximo” e “a verdade está lá fora”. É um palhaço, cada vez inventa uma”.
“Olha, dona: palhaço ou não a gente não tem o dia inteiro”.
“Espera que eu dou um jeito. Desce daí, criatura de Deus! Você tá fazendo eu e sua filha passar vergonha na frente do bairro inteiro. O polícia falou que vai dar tiro de calmante em você”.
“Morte aos infiéis! Que morram todos!”.
“Osvaldo, desgraçado! Eu não te tiro mais do hospício, traste! Olha: eu cansei! Cansei!”.
“Dona, vai ter que ser tiro de tranqüilizante”.
“Tudo bem, tudo bem. Eu só peço uma coisa”.
“O quê?”
“Eu quero eu dar o tiro”.
O policial olha pro sargento, que assente com a cabeça. Entrega a arma para a mulher, que a maneja com surpreendente destreza. Antes de atirar ela pergunta, mordendo os lábios e fazendo mira:
“Pode ser na cabeça, né?”
novembro 5, 2002
Moralismo is cool
Alguém, penso que foi Bocage, disse que “o castigo do vício é o próprio vício e o prêmio da virtude é a própria virtude”. Os antigos praticavam o bem não para ascender ao Paraíso, mas porque reconheciam no bem um fim em si. Acredito que esta é uma visão mais acertada que a daqueles que buscam ter sua virtude recompensada no outro mundo, isto tanto porque está mais de acordo com a razão como porque é mais fácil aderir ao bem quem dele espera se beneficiar prontamente.
Nunca tive a pretensão de extinguir todos os meus vícios, sei que sou fraco demais para levar a cabo tal projeto que, ademais, me parece absurdo. Prefiro concentrar-me em tentar extinguir apenas alguns deles, principalmente aqueles que, “como o salgueiro, lançam sementes por todo o derredor, alastrando-se como praga e tomando para si tudo quanto podem alcançar”. Penso que quem consegue abafar sua vaidade já fez por si mais do que pode esperar fazer pelo resto da vida, pois se há um mal capaz de agitar nossas vilezas a ponto de nos rebaixar ao nível dos porcos, este mal é a vaidade. Assim como de nada adiantava a Hércules ocupar-se das cabeças laterais da Hidra, tendo que extinguir a do meio para que as demais parassem de brotar incessantemente, assim deve proceder consigo quem intenta livrar-se dos vermes que lhe corroem o espírito. Primeiro ataquemos a vaidade, pois somente quando esta estiver sob nosso domínio poderemos verdadeiramente tomar posse de nosso espírito.
P.S.: Não faço a menor idéia de como se reproduz um salgueiro. Aliás, eu nunca nem vi um salgueiro.
novembro 4, 2002
Diálogo com meu irmão
- Você acha que o Lula vai mudar alguma coisa?
- Vai nada. Não sei de nada. Só sei uma coisa.
- O quê?
- Que depois do Lula quem vai ser presidente é o Aécio Neves.
- Também acho. O cara é tipo um Luís Eduardo que fuma pouco.
- Pode crer.
- E o que você acha do Aécio?
- Já foi pra Minas?
- Já.
- Então. Eu acho aquilo.
novembro 1, 2002
Pornocracia
Eu não sei se devo dizer algo aqui.
Fico pensando que não dev Pornocracia! Ah, agora já disse...
Alguém aí já ouviu falar em pornocracia? Não estou me referindo a Cicciolina.
Sergius III, papa, instituiu a pornocracia. Legal, né?
Sergius III, "the most wicked man of the world".
Não quero mais a monarquia, quero pornocracia.