março 28, 2003
O quadro que Magritte não pintou
O título é "A Perda da Individualidade".

A foto abaixo representa uma severa crítica contra a política externa dos porcos ianques

março 27, 2003
Esprit de porc
Toda vez que ouço comentários sobre guerra, lembro-me de Mencken on Bierce.
Pena não tenha lido o próprio Bierce, apenas aquela parte infantil de sua obra.
Certo francês escreveu certa vez um Anti-Plutarco, e quase foi assassinado pelos generais franceses plutarcófilos. Nada mais justo.
Mas eu queria mesmo era só colocar um comentário de amigo meu espírito-de-porco.
Estava eu assistindo à guerra, tomando cerveja e balançando os pés descalços, agradavelmente espichado entre almofadas de pena de ganso quando chega meu amigo.
Dá uma olhada na TV e vê aquelas bombas todas caindo em Bagdá, enquanto os araquianos contra-atacam com rojões.
"Isso aí é o quê? Bagdá?" - interroga-me ele, com interesse característico.
"É".
Olha mais um pouco pra TV e vê uma explosão magnífica. Vira-se para mim - agora vem o clímax deste post - e faz seu comentário.
"Imagina o cheiro de bigode queimado que não deve estar nessa cidade".
Depois de rirmos muito, decidimos batizar de "A Noite dos Bigodes Queimados" aquilo que estão querendo convencionar como A-Day.
março 19, 2003
Wallpapers do Radá


O primeiro vai especialmente para o Alexandre Soares, que adora não ler o tal livro.
março 17, 2003
Existe algo mais chato que um silogismo?
Existe algo mais chato que um silogismo?
Ouvir um sujeito que só argumenta com silogismos é tão medonho quanto ouvir "Jesus, alegria dos homens" em staccato.
Mais deselegante que um empedernido silogista, só aquele tipo de chato que cobra de você a todo instante que "esclareça seu raciocínio", eufemismo que o chato usa para pedir uma série entediante de silogismos. Apesar de que se pode dispensar o chato da seguinte maneira:
- Foi um entimema. É que sua ignorância não permite que você vislumbre minhas premissas, you asshole.
Claro que não estou aqui falando mal da lógica, não haveria rapadura se não fosse a lógica; nem cadeiras de espaldar regulável; e nem conexão peer-to-peer.
Adoro a lógica, chego a ter frêmitos eróticos só de pensar no Ari e nos franceses de nome chique. Acontece apenas que, para meu convívio, aprecio mais as pessoas interessantes que as pessoas que lidam com lógica.
Lógica está entre as coisas que a pessoa deveria se trancar no banheiro enquanto está fazendo.
março 12, 2003
Macondo também tem seus valores
Minha terra natal, Macondo, carece de divulgação na mídia. Terra esquecida, lá conservam-se hábitos primitivos, como colocar plaquinhas com o nome dos mortos do dia em pontos estratégicos da cidade (no mercado central, em frente ao cemitério, etc). Tais plaquinhas dão o nome do morto, idade, naturalidade e, se os há, o nome dos filhos e do cônjuge que deixou. Em Macondo, a paquera ainda é feita na praça central, enquanto moços e moças fazem o footing ao redor da igreja matriz. Há também grande profusão de loucos célebres em Macondo, cada qual com sua mania pitoresca (o Neno, o Chacha, o Luís Bêbado, o Miguel “Cheira Cu”, o Divino, o Marquinho, o João da dona Zulmira, o Cobrinha, o Tio da Cadeinha, o Véio do Guarda-Chuva).
Pessoas famosas de Macondo nunca houve, mas recentemente descobri um nosso célebre.
Vocês não vão acreditar, mas aquele garoto de programa que anda comendo um deputado inglês é de Macondo! Glória para a cidade!
Estive lá recentemente e não se fala de outra coisa.
Primo meu conhece o pai do sujeito, que diz nunca ter desconfiado que o filho empurrasse a parede ou mordesse a fronha. O homem está revoltado com a notoriedade do filho, mais pelo motivo que pela fama, óbvio.
Primo meu disse que o pai do tal sujeito que está fodendo o governo da Inglaterra disse o seguinte em sua presença:
- Moleque filho da puta, sai daqui pra dar em Londres, achando que lá ninguém conhece ele, e acaba aparecendo até no Jornal Nacional. Se voltar aqui, eu arranco o coro daquela bichona.
março 11, 2003
Cê é bobo ou nasceu em Barbosa?
Por que não destinar 15% das vagas em universidades para portadores da síndrome de Down? Se eles trabalham no McDonald's, certamente conseguem redigir monografias, fazer mestrado, doutorado, etc.
Acuso todos aqueles que discordam dessa idéia, bando de burguesinhos privilegiados, terei prazer em justiçá-los no primeiro dia após a revolução.
Botarei veneno em vossos jilós, e caireis espumando antes que a primeira blasfêmia escape de vossas bocas imundas.
Pula, pula, pula, numa perna só/ vem mandando brasa no cachimbo da vovó
Pulei carnaval. Pulo mesmo, não sou colonizado nem intelectualizado; e tenho que descarregar o espírito pra poder passar a quaresma mais cristão.
Carnaval é massa, tem marchinhas e prostitutas bonitas pra gente namorar, ainda que eu tenha me dado mal dessa vez; mau-olhado da senhora Carnívoro, certamente.
O único carnaval que conheço é carnaval de salão, o resto é programa que passa na Globo.
A Globo não toca marchinhas, agente imperialista que é.
Silvio Santos, este, sim, brazuca assumido, divulgou as marchinhas durante anos. E duvido que Gilberto Gil lhe dê um centavo por isso, nem mesmo uma medalha de mérito.
Silvio fez até concurso de marchinhas anos atrás, querendo reavivar nosso folclore e descobrir novos compositores. Venceu uma marchinha besta, composta por uma velhinha (“pipoca, meu bem, pipoca/ tem pros paulistas e também pros cariocas”). A marchinha era ruim mas valeu a intenção. Também, era querer demais uma marchinha das boas, pois os tempos hodiernos são demasiado bestas para que se produza algo decente.
Algo decente:
Eu mato, eu mato
Quem roubou minha cueca
Pra fazer pano-de-prato
(bis)
Minha cueca tava lavada
Foi um presente que eu ganhei da namorada
(bis)
Outra boa:
Roubaram o coração da minha sogra
Botaram o coração de um jacaré
Sabe o que aconteceu?
A velha se mandou e o jacaré morreu
ÉÉÉéé, coitado do jacaré
ÉÉÉéé, coitado do jacaré
Apreciador da cultura popular nacional que sou, divulgo as marchinhas o mais que posso.
Poeta diletante e compositor bissexto, tenho algumas marchinhas de minha própria lavra.
Exemplifico meu talento publicando abaixo duas de minhas marchinhas. Foram compostas para o carnaval 2002, eis o porquê do conteúdo serôdio. Pena que não sei escrever música, pois assim publicaria também as melodias. As letras:
Sai da caverna, Bin Laden
Letra e música: Radamanto
Sai da caverna, Bin Laden
Que o Bush vai te pegar
Sai, veste logo uma burca
Vem pro Brasil festejar
Tira o turbante dele
Tira o turbante dele
(bis)
Carnaval em Kandahar
Letra e música: Radamanto
Estava em Kandahar
Vi duas burcas que pulavam sem parar
De perto, eu nem acreditei
Pois foi o mulá Omar e o Bin Laden que eu encontrei
Lança, lança bomba
Lança, lança-perfume
E toma, toma, toma, toma, Tomahawk
Toma, toma caipirinha, toma da Aliança do Norte
Daqui eu não saio mais, não
Descobri que carnaval
Bom é no Afeganistão
(bis)
março 7, 2003
Fazer o quê?
Nós, os de inteligência média, somos pessoas angustiadas.
Alguns canalhas dizem que o Homem (ai, o Homem) é angustiado porque está entre a besta e Deus. Que dor... o Homem...
Homem o caralho. Homem não existe. Nós, os de inteligência média, sim, existimos.
Nós, os de inteligência média, ficamos entre a besta e o Gênio. É triste.
Temos suficiente QI para admirar o Gênio, e reconhecê-lo como tal, mas não atingimos aquele salto qualitativo que o Gênio atinge, e nos confortamos com a genética. É triste.
Mais patético: os de inteligência média fazem competição pra ver quem consegue reconhecer mais Gênios, como se isso lhes conferisse uma nesguinha do prestígio dos Gênios, e assim pudessem conseguir uma ridícula proeminência entre seus outros companheiros de inteligência média. Ai, que triste.
Mais triste: há os de inteligência média que torcem para um seu conhecido ser Gênio, pois assim pelo menos poderiam gozar da convivência com o Gênio, e tê-lo reconhecido antes, e, talvez, ter um papel interessante na biografia do Gênio. Transar com o Gênio é uma glória, mas se isso não tiver acontecido, pode-se dar a desculpa de que “havia uma relação espiritual entre nós”. Saída muito boa, católica e tudo mais...
Nós, os de inteligência média, somos o lixo. Muito mais infelizes que feirantes e muito menos realizados que qualquer dona-de-casa-mãe-de-três-filhos-criados. Defendemos a inteligência como grande apanágio, esperançosos de que aos quarenta e tantos anos tenhamos nos transformado em Gênio, como um verme que espera magicamente ser transformado em borboleta. Pior: nossa esperança não é sincera, sabemos que jamais passaremos de pessoas “inteligentes e originais, capazes de seduzir os incautos e massacrar os estúpidos, ainda que carecendo de genuína coragem e determinação”.
Nós, os de inteligência média, somos patéticos.
Eu botei veneno no seu jiló
Quando surgi no mundo, a primeira coisa que fizeram foi espancar meu traseiro. Assim não dá!
Como todo homem que se preza, me recusei a chorar, e passei oito dias na estufa antes de ir pra casa (médicos covardes interpretaram minha macheza como “dificuldades respiratórias”, queriam que eu chorasse). Minha analista diz que vem daí minha atitude desafiadora. Eu nem vou dizer o que eu respondi pra ela, tenho decoro.
Um mundo em que você entra apanhando é sinistro, véio. Obstetra fosse, ofereceria um Martini à criança, talvez um cigarro.
A vantagem de ser recém-nascido é que você vive naquele mundo de safadeza sem esquentar a moleira. Chupa um peitinho ali, tem o pirulito manipulado aqui, fica se esfregando em outro acolá, tudo legalizado. Não inventaram adultofilia, ainda bem.
Só quem tem um harém é feliz, só quem tem um harém escapa a determinações sociais chatinhas. O Redentor da nova religião será criado num harém. Ele, sim, transcenderá à mídia, e não cometerá o erro de Sidarta. Ele desejará um harém para cada um de nós, pois saberá que somente assim seremos seres quase que absolutamente espirituais.
Tenho vontade de falar do "caminho dos excessos”, mas é brega demais.
Ademais, "o caminho dos excessos leva ao palácio do cemitério", assim falava Zaratustra.
março 6, 2003
Abelardo Barbosa e Heloísa Helena
Desde Erundina que eu não via ninguém tão sexy.
Confesso que já tive sonhos sexuais com Heloísa, algo vago ambientado na arena do rodeio de Barretos.
Editor da Playboy fosse, já tinha chamado Heloísa, a “Fera Ferida”. Poses insinuantes com o gordo do Bamerindus no papel de Marx. Pagava até viagem a Moscou: superprodução.
O brasileiro é monótono nos seus fetiches, um inglês assistindo a troca da guarda tem pensamentos eróticos mais originais que qualquer Edir Macedo.