abril 30, 2003
Naughty Limericks*
Self Love
There once was a man from Nantucket
Whose prick was so long he could suck it
He said with a grin
As he wiped off his chin
If my mouth were a cunt I could fuck it
New York Love
There once was a guy from New York
Who liked to eat shit with a fork
He´d fry it and roast it
And then he would toast it
That shit-eating dork from New York
*ambos de Dan Berman
Vírus Corona, um banho de água fria

Todo mundo louco pra pegar a gripe asiática e nada dela dar as caras. Tsc, tsc, tsc... Mais uma vez o Brasil faz um papelão diante da comunidade internacional, pra não falar da nossa cara diante dos argentinos (pelo menos eles também não pegaram). Até quando, oh Lord, teremos que passar a amarelão e dengue? Como vamos conseguir nossa cadeira no conselho de segurança, se nem uma gripe nova conseguimos pegar? Já tinha encomendado ao meu alfaiate umas máscaras que combinem com meu robe, terei que doá-las aos pobres.
Che facciamo?
Esta ausência do Brasil no cenário internacional deixa a gente muito sem assunto. Tenho vergonha dos alemães que vêm fazer intercâmbio na faculdade, apelo para a lembrança de Oliver Khan quando vêm pro meu lado com suas caras rosadas.
Quando o progresso chegar, eu quero estar junto a ti.
P. S.: convém lembrar aqui uma cantiga de roda com que as crianças inglesas se divertiam durante a Peste Negra.
"Ring a ring of roses
A pocketfull of posies
Atishoo, atishoo
We all fall down"
E caíam todas para trás, dando gritinhos de incontida alegria.
abril 29, 2003
As armas e os barões assinalados estão incorretos
As respostas certas são “carabina” e “Barão de Munchausen”
Última flor do Lácio,
Inculta e bela,
Somente a ingratidão,
Esta pantera,
Foi tua companheira inseparável
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi:
Ah, um urubu pousou
Na minha sorte.
Oh! Que saudades eu tenho
Da Aurora da minha vida
Do lado de lá era o cais da Rua da Aurora...
...onde se ia pescar escondido
Capiberibe
- Capiberibe
Lá longe o sertãozinho de Caxangá
Não permita Deus que eu morra
Sem que eu volte para lá.
Minha terra tem Palmeiras
Onde canta o sabiá
Seno A, co-seno B,
Seno B, co-seno A
A morte é apenas mais um problema burocrático
A única coisa de que a burocracia brasileira nos livra é de tirar nosso próprio atestado de óbito. O resto, meu filho, vai pra fila ou paga um despachante (profissão que dizem só existir no Brasil). A burocracia um dia me engole, faz tempo que ela está no meu calcanhar. Eu sou um daqueles que era invariavelmente vacinado na escola por não ter carteira de vacinação. Tirei todos os meus documentos somente quando precisei estritamente e estou no meu terceiro CIC por nunca fazer declaração de isento no prazo determinado. No dia de jurar à bandeira, dormi até mais tarde, e minha situação militar é irregular há 6 anos. Só vou atrás dessa porcaria quando for tirar passaporte, o que acho que não vai acontecer tão cedo, dado que não tenho níquel para ir sequer ao Paraguai. Também precisaria da dispensa militar para a carteira de trabalho, mas essa eu só tiro quando entregar de vez minha dignidade a este país Vera Loyola.
Nada me humilha mais que pegar fila, nem o Gilberto Gil no governo. Indiano, sim, deve gostar de fila; eu não. Prefiro o canto dos pássaros, o cheiro suave duns cabelos de mulher, deitar-me sobre os flocos da paineira pensando na morte lenta e dolorosa de um burocrata com câncer de estômago...
abril 24, 2003
Fofoca! Fofoca!
Não sou lá fofoqueiro, mas gosto de quando fofoco. Acho fofocar um mau gosto e, mesmo exercendo tal costume feio às vezes, gosto também de combatê-la: me faz sentir menos pecador. Gosto especialmente quando alguém com quem não tenho intimidade vem fazer fofoca pra mim. Primeiro, faço cara de indignado, simulando não gostar de maledicências. Depois franzo o cenho e, fingindo ignorância, pergunto a respeito do fofocado:
- Fulano de Tal é aquele com cara de retardado e que dizem ser perobo?
Geralmente recuam diante da violência, querendo dar a entender que Fulano não é tão ruim, não pode ser ele. Aí eu peço a descrição física da pessoa e, seja lá qual for, confirmo que é mesmo o Fulano. Para arrematar: "sei que é viado pois Sicrano viu ele pegando no pau de Beltrano um dia no banheiro de uma festa".
- Mas será ele mesmo?
- Pela descrição, só poder ser ele, não é?
Melhor que fofocar é espalhar boato falso. Já me diverti muito matando vários conhecidos, ou colocando-os na cadeia. Também os mandei para o hospital, levei-os à bancarrota, mandei-os viajar para lugares estranhíssimos e, o que rendeu mais diversão, disse que um deles havia desenvolvido dons divinatórios incontestáveis. Parei com isso porque neguinho já não acreditava numa palavra do que eu dizia, fazendo eu me sentir desconfortável.
Outra boa é a do "andam dizendo por aí". Você chega pra Fulano e diz que andam dizendo tal coisa dele, de preferência algo meio esquisito. Exemplos grátis:
"Andam dizendo por aí que você é guiado pelo desejo, é verdade?"
"Andam dizendo por aí que você é obcecado por ornitomancia."
"Andam dizendo que você é atormentado pela idéia do infinito."
Eu juro que as pessoas acreditam. Claro que elas perguntam quem anda dizendo, mas é fácil contornar:
- Ah, o pessoal. Já ouvi umas três pessoas comentando, por isso vim te perguntar. Inclusive eu tava outro dia conversando com o pessoal - távamos eu, o Dunha, o Mário, o Xunda, a Inês, o Lôcha, a Mara - quando alguém se referiu a você. Aí um cara lá que eu não conheço disse "Qual? Aquele guiado pelo desejo?". Então fiquei sabendo da estória.
No máximo, o cara vai achar estranho, mas eu juro que vai acreditar. Se quiserem, desmintam depois.
abril 22, 2003
O tédio nas relações humanas
(Radamanto as a witty)
Perder tempo contra-argumentando é das coisas que não faço. Teria que usar lógica, sujando assim minhas mãozinhas. Encerro logo o expediente, deixando claro a que vim no mundo. É uma posição existencial minha, entendem? Quando ficam teimando comigo, digo apenas que “não acredito mais em você que em mim, já que você nunca meu deu motivo para tanto”. Também há o clássico “você não entende lhufas do que está falando; se eu fosse você não faria esse tipo de comentário, evitando, assim, o ridículo. Falo isto porque sou seu amigo ”.
Mais bobo é aquele que ainda insiste em continuar a provocação, praticamente implorando que você lhe dê o tiro de misericórdia. Nesses casos, apenas mexo o gelo do whisky com o indicador:
- Filho: existe uma ordem natural das coisas, e nessa ordem eu estou acima de você.
Aviso: A última frase só deve ser pronunciada na presença de pelo menos duas testemunhas, de preferência na frente da namorada do sujeito. É recomendável saber lutar ou correr quando se percebe que o sujeito é suficientemente corajoso para enfrentá-lo.
Resolução estético-dialética do paradigma pós-moderno no cinema brasileiro contemporâneo
Depois de Bicho de Sete Cabeças e Karandirooh, a síntese.
Filmarei Franco da Rocha, estória ambientada no famoso manicômio judiciário, localizado na homônima cidade paulista.
Cenas fortes, denúncia, miséria social.
Um adolescente vai parar no terrível sanatório por ser pego fumando chá de cogumelo.
Lá descobre que a solidariedade humana está presente onde menos se espera, inclusive em Minas, dependendo da situação.
Há um código de conduta a ser obedecido por todos, o que inclui a proibição de assobiar Vivaldi no refeitório (em respeito a Sete Cordas, o serial killer barroco).
Encurtando, no final tem um massacre: a tropa de eletrochoque invade o manicômio e sai lobotomizando todo mundo.
Só preciso desenvolver melhor a idéia.
abril 3, 2003
abril 1, 2003
Isto ainda vai me deixar rico
Vem aí o primeiro romance gerontófilo da literatura ocidental. A paixão de um jovem professor emigrado por uma idosa de oitenta e quatro anos. Estranha estória de amor que retrata, numa trama surpreendente e original, diferentes localidades e costumes brasileiros. O delicado tema é tratado com tal maestria que o valor literário sobrepuja o aparente escândalo suscitado pela obra: Palmira.
Palmira
Excertos:
Cap. 1
Palmira, luz da minha vida, fogo das minhas entranhas. Meu pecado, minha alma. Palmira: a ponta da língua fazendo uma viagem de três passos pelo céu da boca, a fim de estalar de leve no terceiro. Pal. Mi. Ra.
Era Palmira pela manhã, com suas anáguas e seu metro e quarenta e oito centímetros de altura. Era Dona Palmira com seus vestidos escuros. Era Mirinha entre a parentela. Era Palmira Castro de Aragão quando assinava seu nome. Mas, em meus braços, era sempre Palmira.(...)
Cap. 3
(...)
Antes de sair, Palmira veio até mim e tocou meu rosto com seus dedos murchos.
- Vai se esquecer de mim? Veja que não pode argumentar falta de memória, hein. Tal desculpa cabe melhor a mim e não acredito que creia que eu vá aceitá-la.
Eu não podia responder, estava paralisado pelo contato de sua pele. Era a primeira vez que Palmira me tocava. A mistura do seu cheiro de maquiagem, talco e laquê me inebriava e fazia que eu me concentrasse apenas nos sentidos. Seu toque, seu cheiro, a maneira vetusta como se movia e aquele olhar escuro de quem atravessou décadas para estar ali, naquele momento. "É como uma relíquia histórica", pensava. "Por esses olhos baços, oito décadas me contemplam".
Senti que minha anatomia respondia ao delicado toque de Palmira. Fiquei embaraçado, pensando que pudesse vir tudo por água abaixo por um descuido meu, uma intenção revelada antes da hora.
- Não te esqueço, Palmira – disse tentando refrear o impulso que tomava conta de mim, como se desviando a atenção dos sentidos pudesse diminuir meu desejo por aquele corpo miúdo e rugoso.
Cap. 4
Resolvi freqüentar o Clube da Terceira Idade a que Palmira tanto ia. Confesso que foi o ciúme que me levou a tal decisão. A simples idéia de que outro pudesse atrair suas atenções me punha em desespero. “Lá devem ser todos impotentes” – repetia para mim mesmo, tentando tranqüilizar-me ante a perspectiva de um rival.
Dando-me motivos para levar a cabo uma atitude antes passional que correta, pensei que talvez lá houvesse outras senhoras interessantes e que não seria de todo mau passar as tardes num ambiente descontraído. Já fazia agora alguns meses que eu parara de freqüentar asilos e casas de repouso, e a idéia de que poderia voltar à vida de prazeres fáceis e mecânicos me revoltava o espírito. (...)
Cap. 7
(...)
Cantei um pequeno trecho de uma canção de Silvio Caldas que havia aprendido de propósito.
- Você canta bem – disse ela, olhando por cima dos óculos redondos e voltando os olhos novamente para a meia que cerzia – além do quê, tem uma voz muito bonita.
Pensava que a ela agradaria antes o repertório que meus dons musicais. Resolvi investigar se havia feito uma escolha errada.
- Gosta de Silvio Caldas?
- Um pouco. Prefiro Orlando Silva. Você conhece Orlando Silva?
- Sim, o “cantor das multidões” – disse triunfante.
Conhecia Orlando Silva dos tempos em que freqüentava o Retiro dos Artistas. Muitos ali relembravam suas canções e cheguei a conhecer uma linda ex-corista que dizia ter sido sua amante. (...)
Cap. 12
(...)
Diante daquelas magníficas corredeiras, pensei em Deus. Que ventura havia me levado até àquele momento sublime? Apertei as mãos de Palmira entre as minhas.
- Teus olhos são como essas corredeiras.
- Eu já te disse que não quero arriscar a cirurgia de catarata. Já vi muita gente ficar cega por causa dessa cirurgia.
- Não é disso que eu falo, amor. O que eu vejo em teus olhos é como o jorrar dessas águas inesgotáveis.
- Eu sei. É incontinência lacrimal. O doutor disse que não tem jeito e que pode mesmo fazer bem aos olhos.
Entendi que não precisava ser compreendido para amá-la. Havia compreensão em mim por nós dois.
Cap. 13
(...)
Após o tempo em que passamos em Foz de Iguaçu, rumamos para Maringá, pois Palmira sempre quisera conhecer o lugar. Realmente é um lugar muito aprazível, mas nada que se compare à beleza das paisagens do interior de Goiás, que havíamos visitado na semana anterior.
- Desse jeito vamos parar no Piauí – gracejei com Palmira.
- Seu bobo – ela disse marota, abrindo os lábios murchos e estalando a dentadura com prazer.
Vê-la tão feliz me dava uma sensação de paz quase narcótica. Aquela mulher era minha, só minha, e nada impediria que assim fosse para sempre. Beijei-a com sofreguidão. Ela me estreitou entre os braços e correspondeu a meu ardor. Seu rosto escaveirado, cravado de sulcos harmoniosos que lhe conferiam certo ar de jardim zen, era para mim a mais terna das visões.
Receoso de que nossos excessos poderiam lhe causar algum mal, interrompi nossos beijos e carícias.
- Palmira, veja a pressão. Você já tomou o remédio hoje? E não nos esqueçamos que você ainda não está recuperada da queda no banheiro.
- Ora, não pensemos nisso. Você parece um enfermeiro. Pois vou dar para tratá-lo como tal, vai ver como é desagradável este seu costume.
- Desculpe, meu amor, não quis aborrecê-la.
- Tudo bem, quero apenas que não pense tanto em minha saúde, há tantas coisas melhores para pensar.
Ah, Palmira... (...)