julho 30, 2004

Depoimentos de quem leu o livro Wunderblogs.com:

"Eu pesava 98 Kg/f quando fui ao dentista e me deparei com um exemplar de Wunderblogs.com naquela mesinha. Comecei a folhear o livro e de repente começou a passar um filme na minha cabeça. Era Silk Stockings, aquele com Fred Astaire e Cyd Charisse, que é uma adaptação de Ninotchka, sabe aquele com a Greta Garbo? Com aquela cena que o Melvyn Douglas diz pra ela que 'é meia-noite, e metade de Paris está fazendo amor com a outra metade?' Bem, whatever... Mas aconteceu que meu dente parou de doer. É isso."

"Minha mãe comprou o livro Wunderblogs.com. Ela disse pra gente não ler, que tinha nome feio no livro e sei-que-lá. Mas daí eu fui lá e li. Ah, li mesmo. Não quis nem saber, fui e li. Vocês tão pensando o quê? Eu leio mesmo. Bem, estava lá, lendo, e me vi suspenso no ar, com o livro na mão. Mas só tava eu, ninguém mais viu."

"Meus filhos sempre me acharam um velho careta. Na verdade, eles me chamam de 'velho careta'. Tipo, 'vá comer pickles, velho careta! Você não tem vergonha, seu velho careta? O velho careta acha que saia de padre é fivela'. Comprei e li o livro Wunderblogs.com. Agora meus filhos têm orgulho de mim. Me chamam de 'hype neocon', 'superduper', 'mendorato man' e outras gírias maneiras."

"Li o livro e agora eu voto no Maluf. É essa a mensagem do livro, né? É pra votar no Maluf, né?"

"Meu nome é Claudinho, eu e minha mulher somos Brian. Sempre fui um sujeito muito, muito tedioso. Bem jacu mesmo. Sempre fui tão apagado que jamais ouvi alguém me chamar pelo nome. Isso porque nunca tive assunto, sou contador e, bem, vocês sabem... Comprei o livro Wunderblogs.com e estudei as matérias ali apresentadas. No sábado seguinte houve festa com o pessoal do escritório, festa a que compareci. Bastou circular pela festa e apresentar um ou dois tópicos tratados no livro Wunderblogs.com que uma rodinha logo se formou ao meu redor. O que eu dizia causava arrancos bovinos e relinchos por toda a parte. Fui o centro das atenções na festa e continuo o sendo mesmo no dia-a-dia do escritório! Antes ninguém falava de mim. Agora todo mundo fala. Mal, mas fala. Minha orelha esquerda vive em chamas!"

"Dizem que se você folhear o livro ao contrário, aparece a palavra "jupira" enquanto você olha as páginas."

"Fui ler o livro antes de dormir. Garrei nas página e comecei a ficar tonta. Acordei num terreno baldio, às três da matina, gritando 'Matusalém, quero dançar com você!'"

"Estava lendo o livro em casa, confortavelmente instalado em minha poltrona-do-papai. Minha senhora cerzia uma meia em sua cadeira de balanço, as crianças já tinham ido dormir. Pois bem, estava me deleitando com a leitura dos posts desses meninos do Wunderblogs.com, o gato ronronava a meus pés. Era quase a hora de eu e minha senhora nos recolhermos e, de repente, soa a campainha. Calcei as chinelas e fui atender a porta, pensando que talvez o delegado Cyd Charisse viesse me contar o último crime atroz que ocorrera em nossa pequena, porém violenta, cidade aprazível do interior. Qual não foi minha supresa! Abro a porta e me deparo com um senhor de cor, alto, com um sorriso de canto de boca. Pois este senhor chegou e nos comeu a todos."

Posted by Radamanto at 2:49 AM

julho 27, 2004

Literatura aqui é mato, rapaz

Aquele indiano acordava todo dia às três e meia da manhã e ia para o trabalho. Intocável de pai e mãe, seu ofício era limpar as latrinas da cidade. “Pelo menos não tenho que me alimentar de lixo hospitalar” – pensava sempre e se sentia feliz.
De madrugadinha o trabalho era melhor de fazer, quando o tempo estava fresco. Ao meio-dia que a coisa ficava difícil. Entrar numa latrina com aquele sol de matar camelo não era agradável, mas era melhor que comer lixo hospitalar, que ter um seio canceroso para o jantar.
Vestido apenas com uma tanga hindu, o indiano afundava até o peito nos dejetos, e às vezes tinha que mergulhar para desentupir algum cano. “Pelo menos tenho mais fôlego que qualquer brâmane carola” – pensava o indiano – “e não me alimento de lixo hospitalar, como muita gentinha faz”.
Era um intocável rico. Tinha uma tanga indiana, um bastão e um pote. Se orgulhava principalmente do pote de barro cozido.
Estava acima dos outros que não tinham um pote, certamente eram o tipo de gente que comia pernas amputadas.

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Certa vez o indiano sentiu sede ao sair de uma fossa entupida. Estava tão quente que a água evaporara do pote (não era tão rico a ponto de ter um pote com tampa). Sua língua parecia uma lixa, de tanta sede. A visão já estava embaçada. Mal saiu da fossa e os dejetos já secaram sobre a pele, parecia um golem de excremento.
Viu uma velha debruçada numa janela, pediu um pouco de água. A velha não podia dar água na mão do indiano, que era intocável. Ele sabia disso, pediu que ela jogasse um balde d’água pela janela e ele beberia da poça que se formaria na rua, de quatro mesmo.
“Vagabundo” – a velha gritou. “Quer agüinha, né? Tá com sedinha, né? Miserável! Por isso que as coisas estão como estão, porque esses vagabundos não sabem o lugar deles! Vai pedir água pra tua mãe, desgraçado!” – e bateu a janela.
“Bom, pelo menos a velha não chamou a polícia” – pensou o indiano, e sorriu para si.
O pior é que estava todo aquele Ganges ali do lado. Ele poderia lavar-se, beber água. Mas um intocável não pode entrar no Ganges, porque as moléculas do Ganges entrariam em contato com o intocável e poderiam mais tarde tocar algum brâmane, algum sudra rio abaixo, e mesmo esse contato indireto repugna qualquer pessoa decente. Não é?
Sem outra alternativa, o indiano resolveu beber da fossa mesmo. Entrou, tirou a tanga, abriu o pano, imergiu-o naquela massa de fezes e urina, juntou as pontas e fez uma trouxinha cheia daquela pasta. Suspendeu acima da boca e espremeu a trouxinha, que liberava um líquido filtrado que, se tinha gosto ruim, pelo menos matava a sede. Repetiu a operação umas cinco vezes, até que não sentiu mais a língua formigando.
Trabalhou ainda até às onze da noite, quando foi para casa. Não foi a pé, como a gentinha. Foi de cajado.
No caminho para casa, comprou a refeição do dia: tripa de porco (a vaca é sagrada na Índia).
Comeu e foi dormir.
Antes, rezou para os pobres, que se alimentam de lixo hospitalar.

Posted by Radamanto at 5:51 AM

julho 23, 2004

Olimpíadas não são de nada

Prefiro acompanhar isso.

Posted by Radamanto at 5:44 PM

Killing me softly

No meu tempo de pequeno, os melhores dias eram os dias de circo, quando se viam as apresentações dos palhaços, equilibristas, economistas, gente que gosta de literatura, Rubinho Barrichello, Charcot e suas histéricas.
Charcot é do tempo de vocês?
O show do Prof. Charcot (“Prófi”) era ótimo. Mulheres que não engoliam a espada em poses insinuantes, ao som de Jean Michel Jarre e seu teclado com jatos de luz.
Charcot fazia as histéricas pularem através de um aro de fogo, enfiava a cabeça na boca delas, batia na bundinha, estimulava o clitóris, fazia o diabo. Charcot era o cara.
Numa das vezes que vi o show de Charcot, ele chamou um negão que... não, não. Troquei as memórias, sorry.
Mas, ahhh, teve uma vez que ele entrou num tanque com cinco histéricas, foi-lhes ao cu, xingou uma a uma e ainda fez uma delas equilibrar um objeto estranho no nariz. Pô, cês não têm idéia do que era o Charcot, galera.
Mas na verdade eu queria falar da pena de morte. Em todo país que a pena de morte é adotada, o condenado deveria poder reverter a pena. Não é reverter no sentido de “reverter a pena”, é no sentido de “”reverter”” mesmo (acabei de inventar as aspas duplas). Seria o seguinte: você, inocente, é condenado à morte. Vai para o corredor da morte.
Graças a Nosso Senhor, você consegue uma prova incontestável da sua inocência. Daí o juiz - ou o júri - que o condenou é inapelavelmente condenado à morte.
Quero ver o desgraçado que condenaria alguém à morte se a coisa fosse assim.

Posted by Radamanto at 4:09 AM

julho 21, 2004

Estórias de caçada

Com seus trajes elegantes, os caçadores entram no bosque. Estão todos de casaquinho vermelho de pano duro, com botões dourados e gola militar. Caminham com cuidado, para não sujar a barra da calça branca, todos em silêncio.
De repente o chefe dos caçadores, que vai à frente do grupo, congela o passo no ar. Todos repetem o gesto, numa onda, até o último caçador da fila.
O chefe sublinha o silêncio, estendendo a mão espalmada ao lado da cabeça levemente tombada.
- Vocês ouviram? – ele faz a pergunta retórica.
Os caçadores sabem que quando o chefe pergunta algo não é pra responder. Ele faz essas perguntas de mentirinha.
- Acho que devemos ir naquela direção – comanda.
Os caçadores continuam a marcha em silêncio. Sempre em silêncio.
Aquele não parece um bom dia para a caçada.
Mais meia hora de marcha e, de repente, o chefe estaca, dramático como sempre.
- Acho que ouvi alguma coisa. Me dêem o apito.
O apito passa de mão em mão até chegar ao chefe dos caçadores. Um apito de prata, muito bonito, com uma perolazinha incrustada na parte de cima. O chefe dos caçadores assume um semblante franzido e sopra com força: “Prrrrrrrrrrruuuuuuui! Prrrrrrrrrrruuuuuui!” O silvo agudo, estilhaçado pelos troncos das árvores, se reparte por todo o bosque. Mas nenhum outro som responde.
- Estou certo de que ouvi algo – diz para si mesmo o chefe dos caçadores. Vou tentar o grito de caçada.
Sim, o grito ancestral dos caçadores. O chefe põe as mãos em concha diante da boca para amplificar o grito ancestral:
- Helloooooooooo, sailoooooooor!
Nada.
- Helloooooooooo, sailoooooooor!
Nada.
- Hellooooooooooooooo, sailoooooooooooor!
De orelha em pé, todos os caçadores buscam alguma resposta. De repente, do fundo da floresta, um som.

Aí chegou um negão e comeu todo mundo.
HAHAHAHA!

Posted by Radamanto at 5:39 AM

julho 20, 2004

Reizinho livre!

Quando eu era criança, o passatempo preferido do pessoal da minha rua era brincar de “perfeição moral”.
- Vamos brincar de perfeição moral?
- Êêêêêêêêê!

E ia todo mundo brincar de perfeição moral.
Era assim: alguém assumia o papel do “sujeito de caráter duvidoso”, outro fazia o “canalha assumido” e um outro era o “cidadão impoluto, de reputação ilibada”.
O resto das crianças propunha dilemas éticos aos três personagens.
- Se você está andando na rua e acha um pacote de dinheiro no chão, o que você faz?

Primeiro respondia o canalha assumido:
- Enfio no bolso e saio logo dali.
- Só isso?
- Espio antes se não tem ninguém olhando.

Depois o sujeito de caráter duvidoso:
- Hmm. Eu olho em volta pra ver se o dinheiro não é de ninguém que está por perto, pergunto pras pessoas se o dinheiro não é delas. Se não for de ninguém, eu pego pra mim.

E finalmente o cidadão impoluto, de reputação ilibada.
- Pego o dinheiro e vou à delegacia entregá-lo às autoridades.

Aí chegava um negão e comia todo mundo.

Posted by Radamanto at 3:01 AM

julho 16, 2004

Literatura

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AGORA DISCUTAM

Posted by Radamanto at 4:37 AM

julho 14, 2004

Olavete é a tua mãe (nefando é o teu cu)

A profusão de débeis mentais pela Internet é dos espetáculos mais divertidos para se apreciar. Ler a resenha (bwargh) de Julio Daio no Digestivo sobre o livro dos wunders foi um dos maiores prazeres humorísticos que tive desde a primeira vez que assisti a Em Busca do Cálice Sagrado. O estilo e os preconceitos são o homem, sempre.
Julio Daio Borges, a múmia, me chama de olavete. Olavete é a tua mãe.
Eu gosto do Olavo de Carvalho. É um gênio, é o que há. Nos apresenta uma série de mentes interessantes, de esquemas de pensamento originais e, acima de tudo, é honesto.
Já o senhor Julio Daio é um palhaço, um bufo que tenta chamar a atenção para si próprio por quaisquer motivos. É tão tonto que faz uma resenha (blergh) de um livro sem falar do livro.
Admito: consegue chamar a atenção. É tipo um Polzonoff. A Internet está infestada desses tipos.
Eu, por exemplo, fiquei besta ao ler aquilo que ele escreveu no Digestivo. O que, afinal, ele quis dizer? Nos chamou de olavetes, a nós todos, wunders, tão diferentes entre si. Sobre isso, da minha parte tenho que dizer apenas o seguinte: olavete é a tua mãe – repito pra sempre.
Gosto do Olavo e sou gratíssimo por tudo que ele me apresentou. A originalidade dos pensadores que Olavo edita, a seriedade que ele instiga, a maneira cuidadosa de lidar com o pensamento, o respeito pela inteligência, o estilo bonito. A criatura Julio Daio poderia se beneficiar disso tudo se não fosse besta como é. Prefere resumir tudo a um esqueminha direita-esquerda que o desobriga de pensar. Olavete é a tua mãe - eu não me canso.
Julio Daio me acusa de professar a filosofia de Olavo de Carvalho. Eu? Filosofia? Carvalho? Nem sei o que é isso. Se alguém achar filosofia em qualquer dos meus textos ganha uma bala Soft de presente.

Julio Daio Borges não prega o pau em todos os wunders, ele faz concessões, ele é bonzinho e justo. Por exemplo, ele diz: “seria injusto reduzi-los (os wunders) à condição de discípulos de Olavo de Carvalho, principalmente por causa de Fabio Danesi Rossi (um ateu) e de Daniel Pellizzari (um neófito).” Que coisa imbecil é essa? Tenho preguiça de discutir os pormenores, será que ele achou que puxar o saco de uns wunders daria um verniz honesto ao que ele diz? Que pareceria menos ordinário seu artifício de falar do livro sem falar do livro? Que mérito há em ser ateu ou neófito? Eu sou santista (Peeeeixe! Peeeeeixe!), vale alguma coisa? Olavete é a tua mãe, Julio Daio.
Mas eu estou bobo, o enigma me deixa bobo. Por que, afinal, alguém escreve aquilo? É invejinha? É síndrome?
Não, não é. O problema é que Julio Daio é feio, bem feio, e ridículo.
Vocês podem ver aqui.
É muito bom saber que eu jamais serei feio como o Julio Daio, nasci mais bonito. Julio Daio pode passar o resto da vida difamando quem quer que seja, nada vai mudar seu destino de ser feio. É como na piada.
Seu feio! Gordão! Cara de melão! Olavete é a tua mãe!

Posted by Radamanto at 4:15 AM

julho 2, 2004

BANNERNOVO.gif

Posted by Radamanto at 4:55 PM