agosto 20, 2004

True love

"Na hora do banho, quando vi você empinando a bunda pra se lavar, foi aí que te amei mais."

Posted by Radamanto at 8:49 PM

agosto 18, 2004

Coraçães de mões, dragães, sereias e serpentes

Penso em atitudes extremas justamente porque não vou praticá-las. Penso em matar, roubar, andar de carrossel a 120 km/h, comer maionese em restaurantes por quilo, estuprar bananeiras. Penso e digo, às vezes escrevo, uma vez fiz um filme. Aí vêm me dizer que idéias têm conseqüências. Mentchiiira!
As minhas não têm, espero que nunca tenham. Hohoho.
É bonito acompanhar o canalha em sua gênese, o que ele mais quer é ser levado em conta, principalmente por quem escapa a seu poder imediato. O canalha quer durar para sempre, uma coisa antinatural. O desejo de ser imortal se mata no ninho, à esquerda de quem vem.
Pamonhas, comi muitas. Daikiri, nunca bebi.
Desenvolver conceito é coisa de jacu.

Posted by Radamanto at 4:59 AM

agosto 17, 2004

A capa do disco

"Estas são as canções de Zaratustra que ele cantava para si mesmo, para suportar a sua última solidão."

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BMG-Ariola

Posted by Radamanto at 2:18 AM

agosto 5, 2004

Marylou

Esses livros que lemos sortido, como os de contos, de poemas, de crônicas, de curiosidades, sempre que os abrimos ao acaso, nunca se abrem ao acaso. Há sempre duas ou três páginas que abrimos obsessivamente, onde o livro está mais esgarçado ou onde os maços justapostos que compõem o livro se dobram. Então ocorre que toda vez que abro este meu volume de contos brasileiros, uma edição velha de 1958, me deparo "ao acaso" com a nota biográfica de João Alphonsus e nesta página, por algum automatismo a mim obscuro, meus olhos sempre lêem este trecho antes de tudo: “Seu nome de escritor impôs-se quando, em pleno fastígio do modernismo, publicou a história comovente de uma galinha cega, que imediatamente o colocou na fila em que figuram os nossos melhores cultores de histórias curtas.”
Primeiro acho a coisa ridícula: sou perseguido por uma galinha cega há anos e nunca pude saber mais sobre seu destino além de que é cega, e é galinha. O conto que está no livro não é o da galinha.
A nota já me informou também mil vezes de que a história da galinha cega é comovente.Eu acredito, eu acredito.E me ponho a imaginar o drama da pobre galinha, que ela deve bicar pedras quando caça baratas, que vai ciscar e acaba dando um coice no galo, que vai subir no poleiro e dá de testa no gradil, etc.
Fico sempre com raiva do editor também, porque informa que João Alphonsus escreveu essa história da galinha, que de tão comovente impôs seu nome de escritor e “o colocou na fila em que figuram os nossos melhores cultores de histórias curtas” e, em vez de publicá-la, escolheu uma outra história qualquer.
Certamente que a história da galinha já virou para mim um clássico. Mesmo que eu nunca a tenha lido, recomendo a todo mundo. E digo que é muito comovente, muito mais comovente que “Negrinha”, do Monteiro Lobato, a história campeã em apelação emocional jamais escrita em qualquer língua.
É certo que a galinha seja o animal mais estúpido inventado pelo Criador. Se cega, ainda por cima, toda uma carga dramática se soma a sua estupidez, o que causa um efeito emocional confuso, misto de patético, de piedade, de compaixão, de cômico.
Um dia eu queria ter autoridade literária só para dizer que essa galinha é o personagem mais representativo, mais rico da literatura brasileira. Entendam: virei fã da galinha. Tenho por ela uma empatia que não consigo ter por Bentinho, a negra Bertoleza, Fabiano, Policarpo, Riobaldo, Nelsinho, o delicado.
Talvez se o Brás Cubas entrasse numa roupa de galinha e usasse uma venda, eu gostaria mais dele. Mesmo que continuasse repetindo aquela sua fala irritante de comercial do Tostines.

Posted by Radamanto at 5:14 PM

agosto 4, 2004

O reinado de Raimundo Lúlio

Vejo pessoas dizendo-se felizes por ver "alguém inteligente de fato na internet". Well, prefiro ver gente inteligente de biquíni, but...
As pessoas também ficam felizes em ver "uma boa surpresa na internet". O sujeito em frente ao computador abre uma página e exclama em faniquitos: "Oh, uma boa surpresa na internet. Quão agradável! Assaz prazeroso deparar-nos com uma boa surpresa na internet. Hei, pessoal, venham ver que boa surpresa na internet eu achei!" "Olha, mas não é que é mesmo? Estou surpreso! Como você acha essas coisas, Waldomiro? Enfim, alguém inteligente de fato na internet." "Não falei? Coisa fina, gente, coisa fina. Mexe com literatura, jornalismo cultural, só coisa inteligente. Tem o intelectual muito desenvolvido. Não é como esses que ficam por aí fazendo piadas gratuitas, que não têm nada a dizer e insistem em aparecer de qualquer jeito, essa gente que não tem conteúdo, que nunca leu nenhum russo de novecentas páginas, que nunca assistiu nenhum filme francês com discussões fundamentais - fun-da-men-tais - sobre o ser e a essência do ser. É disso que o país precisa: inteligência, gente.”
Vocês conhecem o tipo.
Esse mesmo sujeito é aquele que lê que “Deus está morto” em um livro qualquer e em vez de tomar a coisa como mera frase de efeito, pára com a mãozinha no queixo, olha abobalhado para a parede e tem a súbita revelação: “É mesmo, é mesmo. Deus está morto... E eu que nunca tinha pensado nisso. Preciso me libertar dos preconceitos, a gente tem que saber que Deus está morto. Amanhã vou chocar todo mundo no escritório, vou colocar “Deus está morto” no screensaver do meu computador. Quando as pessoas vierem me perguntar o que é aquilo, impressiono todo mundo com minha inteligência: “Li isso de um filósofo alemão. O quê? Vocês não conhecem filosofia alemã? Mas é uma gente sem conteúdo mesmo, viu. Assim vocês não evoluem, gente. Tem que ter a cabeça aberta, tem que se libertar dos preconceitos. Se vocês quiserem, eu indico uns livrinhos pra vocês depois. É por isso que esse escritório não vai pra frente.”

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Ser inteligente agora é chic. Há todo um sex appeal em demonstrar inteligência. Se São Tomás fosse vivo, as mulheres freqüentariam suas palestras para gritar “gostoso” durante a exposição da unidade da trindade. Claro que isso não é de hoje. A gregaiada já achava uma gracinha ser inteligente. Exemplo grátis: Alcibíades, na calada da noite, tentou praticar “ilicitudes” com Sócrates; Sócrates era mais feio que mudança de pobre; logo, ser inteligente tornava Sócrates really hot.
A mesma coisa hoje em dia, só que bem pior. Os franceses, que não são bobos nem nasceram em Barbosa, sabem muito bem fazer graça. Até o zarolho do Sartre se deu bem pagando de intelectual. E todo mundo percebeu.
Desde então, cresceu assustadoramente o número de pessoas inteligentes no mundo. É um mais gênio que o outro. Mesmo as mulheres, que nunca precisaram ser inteligentes porque têm coisas muito melhores para ostentar, mesmo elas agora precisam folhear o Mais! para se sentirem atraentes.
Eu, que sou burro, espero que em breve o excesso de inteligência no mundo acabe beneficiando os tontos. Como no Rio de Janeiro onde, dizem, o excesso de marombados tem feito as mulheres ficarem atraídas por magrinhos branquelos.
Ainda vou ter meu harém, mil mulheres lindíssimas me adulando: “Olha, que lindinho! Tão estúpido... Fala “pobrema” de novo pra gente ouvir, fala.” “Diz que não sabe quem é Marcuse.” “Confunde Ziembinsky com Kandinsky de novo pra gente ver. Ohhh, cutch, cutch…”


Posted by Radamanto at 11:29 PM

agosto 3, 2004

J'acuzzi!

Uma vez tive vontade de escrever um panfleto, defender uma causa, plantar um filho.
Queria lutar contra tudo isso que aí está, queria fazer graça depois do almoço.
Sair cantando "japonês tem cinco filhos", hastear com orgulho a bandeira da APAE, pregar para o povo segurando bolinhas tailandesas.

Aí mamãe passou Vick-vaporub em mim. :o)

Posted by Radamanto at 6:57 PM

agosto 2, 2004

O filme do livro

Wunderblogs.Cão: Portal do Inferno
(ação, 2004, 105 min.)
com ASS, DGR, Radamanto, Marcelo de Polli, FDR, Mad Monk, César Miranda, Miss Veen, mozart, Mojo, Ruy Goiaba et cap. caverna.

Dante Gabriel é uma linda mocinha que quer conseguir dinheiro para a operação de mudança de sexo. Mojo é um jovem aldeão que resolve ajudar.
Para isso, junta-se a Captain Guava (Ruy Goiaba, numa interpretação memorável. Reparem na maneira como ele diz "jupira" na cena com as bailarinas na Kombi dos Copérnicos).
O plano para a mudança de sexo vai bem até que aparece o nefando Dr. Xabong e seus asseclas amestrados.
Aí rola tipo umas tragédia e o filme fica meio triste. É quando Veengeance Girl, Geeken Meister, C. Miranda ("the tutti-frutti blogger"), Radamanto (Spencer Tracy), Rasputin Saroba, Mr. Dundas (squirrel), Mozart Catão (o jovem) e Franklin Delano Roosevelt chegam para abalar.
Cenas de explosão, capotamento, gente pendurada em penhascos, mocinhas amarradas em trilho de trem, chinelada na cara, pessoas jogando Mendorato pra cima e apanhando com a boca. Uma festa só.
Imperdível. Umas dezoito estrelas e vinte e nove "bonequinhos batendo palminhas de pé" pro filme. Bom mesmo, viu. Sem noção.

No final, uma surpresa.

Posted by Radamanto at 6:09 PM