outubro 26, 2004
Crítica de Cinema em Norma Culta
Se cobrir vira circo, se gravar vira filme
Em Royal Wedding, veja duas coisas:
1) A cena do quarto movido à manivela, em que Fred Astaire só falta soltar teia.
2) O número que se passa na América Latina. Nesse número, preste atenção no sujeito que passa em primeiro plano da esquerda para a direita, vestido de colhedor de café.
Ainda nesse mesmo número, repare que Astaire escapa de tomar um cola-brinco do macaco, talvez fazendo uso do sentido aranha.
Não preste atenção na bicharia (por respeito, todo mundo deve relevar o momento em que Fred Astaire arrebita a bunda depois de dançar com um mancebo).
Na próxima 'Crítica de Cinema em Norma Culta', farei críticas ao Papa. E na outra rasparei o cabelo enquanto rasgo uma foto do Papa.
outubro 19, 2004
Seu Delegado prendeu o Tadeu
Se eu fosse palestino, seria brasileiro, e freqüentaria marchas pela paz.
Bandeiras escrito "Basta!", eu com minha camiseta escrito 'Bosta!".
Se fazer de vítima é conhecido pertúrbio mental, dentre todos o mais insuportável, principalmente se não tem ninguém pra tirar sarro.
Não segui carreira porque minha vontade era sempre dizer "Solta logo a rosca" ou "Pull my finger", ou "Acho que já vi isso numa música do Albinoni", ou "Parece até um comercial que passa no SBT".
Gente que lê mexendo os lábios e conta usando os dedos, gente que faz comparações com os primos, gente que diz mal.
Tupinambás são empregadinhas humilhadas que querem vestir a roupa da patroa.
Quando a patroa sai, correm para o armário e ficam posando em frente ao espelho, e não percebem que a roupa lhes cai mal.
O vestido elegante não combina com a falta de dentes. Os ombros sobrando do paletó...
E fazem poses ridículas para o espelho, levam o dedinho na boca e fazem carinha de quem tá gostando demais.
Imaginam-se arrasando no forró.
Dizem que é o povo que mais toma banho no mundo, e usa mais perfume. Deve ser verdade. O brasileiro quer tomar banho até arrancar a própria pele, quer se encher de perfume para que ninguém sinta seu cheiro. Não há povo
que se odeie mais.
Nosso mito fundador, em vez de Rômulo e Remo, tem os
irmãos Villas-Boas e o Xingu eterno.
Dê uma sanfona a um brasileiro e ele faz forró. Dê uma sanfona a um "brasileiro educado" e ele faz forró universitário.
Dê uma sanfona a um argentino e o nome já muda pra acordeón e ele faz um belo tango.
Desculpa de brasileiro é encosto.
Muitos dias sem Tim Lopes.
outubro 10, 2004
Troca de gentilezas
Eu tinha amigos pretos que me chamavam de bigato e alemão. Eu ficava ofendido quando me chamavam de bigato e de alemão. Macaco e urubu eram minhas réplicas.
Mas eu não gostava mesmo era de "alemão". Eu destestava "alemão". Eu pensava: "Não sou nazista, por que me chamam de alemão?"
Nessa época eu assistia Holocausto na TVS.
Aqueles meus amigos pretos sabiam ofender.