janeiro 27, 2005
O discurso das coisas que estão no final
- ...e todo mundo sabe que o objetivo do ser humano é espalhar seus genes.
- Por quê?
- Porque o objetivo da vida é se multiplicar.
- Pourquoi?
- Porque é.
- E isso vai até onde?
- Como assim?
- Até quando a vida vai se multiplicar?
- ¡No lo comprendo!
- Isso vai parar no planeta ou não tem fim? Porque, por exemplo, esse negócio de vida pode continuar pra sempre. Se a vida é tão obcecada assim por se multiplicar, pode ser que a intenção dela seja preencher todo o Universo.
- Hmm. Desenvolve, Clóvis.
- Primeiro a vida toma conta da Terra, transformando o planeta numa bola gosmenta vital. Não contente, essa bola começa a formar um bico em direção à Lua, numa sanha infinita por dominar o Todo Universal. Daí a vida - A Vida - vai pulando de planeta em planeta, de galáxia em galáxia, até preencher tudo, até os espaços vazios, formando um todo compacto do tamanho do infinito.
- Que barbaridade.
- Mas se o objetivo da vida é se multiplicar, e só esse, é isso que eu devo esperar dela, não?
- Claro que não.
- Claro que sim! E tem mais: nós estamos colaborando com esse objetivo sórdido da Vida. Estamos treinando o câncer, por exemplo, para resistir a tudo. Fritamos o câncer com radiação, botamos veneno pra ele, tentamos de tudo quanto é jeito destruí-lo, e o bichão resiste. Daí que vai se tornar a forma mais resistente de Vida, sobrevivendo inclusive ao cataclisma nuclear, ele e aquela barata. Pro câncer pegar a barata e usá-la como instrumento de multiplicação perpétua não custa muito. No final só restará o Grande Compacto Canceroso.
- Que absurdo! Nunca ouvi tamanho absurdo.
- Absurdo é mulher fumando charuto. E espera sentado que você vai ver só.
janeiro 25, 2005
Surpreenda em festas e eventos apresentando a toda gente o seu "bispo com papa-móvel"
Depois do roque e do en passant, a onda agora é o fabuloso "bispo com papa-móvel", a maior contribuição ao xadrez desde a criação da URSS.
Trata-se de um bispo normal, que deve ser colocado dentro de um copinho de tequila virado de cabeça para baixo.

O "bispo com papa-móvel" é uma peça que só pode ser conseguida quando se promove um peão, ou seja, na promoção você pode escolher qualquer peça usual ou optar pelo seu "bispo com papa-móvel".
Este bispo se movimenta normalmente, mas não pode ser capturado pois, arrá!, está protegido pela impenetrável redoma do copinho de tequila, que vem a ser justamente o papa-móvel do bispo.
Em muitas situações de final de jogo, o "bispo com papa-móvel" é superior a uma rainha (mas nem sempre, nem sempre, pois afinal ainda é um bispo, com aquela movimentação tonta de bispo).
Regra adicional: só pode haver um "bispo com papa-móvel" para cada jogador, senão já é muita apelação.
janeiro 20, 2005
Repost
Os dois andando pela rua, ela chupa um sorvete:
- Obrigada pelo sorvete.
- Nem pense nisso.
- Você é meio esquisito, sabe?
- Ah, é?
- É. Você fica olhando a gente de um jeito... um jeito esquisito.
- Bem, eu não sei muito bem o que isso significa mas gosto de qualquer coisa que chame mais a atenção em mim que a minha calvície.
- Haha... Não, eu falo sério. Parece que você está sempre preocupado. É isso, é como se você estivesse o tempo todo preocupado.
- Com o quê?
- Não sei. A guerra com a Coréia, talvez. Sabe que muita gente diz que eles têm armas nucleares?
- Ouvi dizer.
- Você não fica preocupado?
- Eu?
- É.
- Hm... não.
- Não?
- Não.
- Você não sabia que as bombas de hoje são muito piores que as bombas que jogaram lá no Japão? As coisas evoluem, mesmo que pra pior. Dizem que a Coréia do Sul poderia ser evaporada em minutos.
- Não me interessa.
- Como não te interessa?
- Não interessando.
- Mas eles são seres humanos. E tem velhos, crianças, gente que não teria chance de fugir...
- Não me interessa.
- Ah, claro. Então é por isso.
- O quê?
- Seu olhar. Você é um psicopata.
- Hahaha.
- Arrá, eu estou certa! Percebi que você riu de um jeito nervoso. Está querendo disfarçar.
- Tá certo, é verdade. Eu sou um psicopata.
- Ah, tá!
- Que é?
- Eu não acredito.
- Por quê?
- Um psicopata! Você está só brincando, é isso. Como eu sou boba! Cheguei a pensar que fosse sério. Vê se dá pra acreditar, hahaha!
- Não. É verdade, eu sou um psicopata.
- Pára! Não gosto desse tipo de brincadeira. Não me deixa com medo, seu bobo.
- Veja bem, essa é uma experiência única. Quantos psicopatas você conhece?
- Eu, eu...
- Na verdade eu acho que você deve conhecer uns dois. E já deve ter falado com pelo menos uns quinze. Há muitos psicopatas, sabia? Eu adoro essas estatísticas. Eu pego esses compêndios de psiquiatria e vejo as porcentagens todas. Depois eu fico calculando quais as chances de nós cruzarmos com pessoas com este ou aquele problema, e quais as chances de termos um amigo perturbado. Pelos meus cálculos, eu conheço pelo menos uns dois psicopatas além de mim, quatro obsessivos, doze homossexuais, e uns cinco borderlines. Quantos anos você tem?
- Hum, por quê?
- Quantos anos você tem? Vamos lá, eu não vou sair espalhando.
- Tenho vinte e seis, e não estou preocupada em revelar minha idade, apenas achei a pergunta estranha.
- Tá, vinte e seis. Quantas pessoas você considera que sejam seus amigos íntimos?
- Como assim?
- Amigos íntimos. Amigos em quem você confia.
- Hmm... deixa eu ver... hmm... três.
- Bem, está na média. E quantas pessoas você conhece superficialmente?
- Bem... eu acho que é impossível de calcular.
- Impossível de calcular é igual a cinqüenta. Vejamos, vejamos... Você conhece pelo menos mais um psicopata, mas pode ser que eu seja o primeiro que você conhece, probabilidade não dá certeza. Mas acredito que você tenha relações íntimas com três pessoas com perturbações mentais graves e você... Você costuma checar se todas as luzes do apartamento estão desligadas antes de sair de casa?
- Eu? Não.
- Checa o registro do gás mais que oito vezes ao dia, pra ver se está fechado?
- Hmm... acho que não.
- Tem alguma fantasia sexual envolvend...
- Ei, espera aí!
- O quê?
- Que perguntas são essas?
- Nada, eu só queria saber se você deve ou não ser contabilizada em minhas estatísticas pessoais. (tira um caderninho do bolso e começa a escrever, repete para si mesmo enquanto escreve) Ficou intimidada quando questionada sobre intimidades sexuais, provavelment...
- Calma lá, Sr. Psicopata. Eu não tenho nenhum problema sexual. E vi na TV a cabo que psicopatas, sim, é que tem problemas sexuais. Disseram que a maioria é bicha ou impotente.
- Você não deveria tratar informações de televisão como fonte científica confiável. Na verdade, a maioria de nós, psicopatas, não tem nenhum problema de ordem sexual. Eu diria que o que nos motiva é um certo impulso estético. O que acontece é que alguns de nós substituem completamente o instinto sexual pelo impulso estético, ou alguns ficam tão estéticos que descambam para a bicharia. Mas a maioria de nós leva uma vida normal, muitos se casam e têm filhos, inclusive. O que acontece é que os casos aberrantes sempre chamam mais a atenção e acabam criando uma certa imagem na mídia. E a mídia, você sabe...
- Isso está me cheirando a defesa de classe.
- Pois não é. Conheço bem o assunto e minhas informações são fidedignas e, além do mais, não me interessa o que as pessoas pensam sobre nós.
- Bem, a televisão disse que psicopatas são inteligentes e dissimulados. Você parece estar de acordo com o protocolo tentando sair assim pela tangente.
- Isso é um elogio ou uma acusação?
- Você é inteligente, deve ter entendido.
- Não entendi, mas vou ser dissimulado e fingir que não estou interessado na sua opinião.
- E você está?
- Sou dissimulado e inteligente, portanto temos uma situação interessante aqui. Afirmo que sou dissimulado, o que confunde a definição mesma de dissimulação. Por outro lado, isso seria muito inteligente, pois criando tal situação deixo você sem parâmetros seguros de julgamento, o que, por outro lado, confirma minha inteligência e, em última instância, meu poder de dissimulação. Ademais, a dissimulação pode ser um atributo da inteligência, assim como a inteligência pode ser um requisito para a dissimulação. Mas esse problema é falso, pois não é uma questão de "isso ou aquilo", e sim "isso e aquilo", e não há nenhuma contradição nisso tudo, afinal. Assim, fui apenas dissimulado inventando toda essa estória e deixando de responder a sua simples pergunta. O que é muito inteligente, diga-se de passagem.
- Deus, você é um psicopata! O que eu estou fazendo falando com você?
- Pense que o mundo é um zoológico com várias espécies diferentes de pessoas. A variedade de tipos humanos é como a variedade de animais, há muito que se observar. Para quem se interessa, evidente. Você está falando comigo agora porque quer observar uma espécie que nunca viu, ou pensa que nunca viu.
- E que espécie de "animal" é você, então?
- Eu... eu sou um leão.
- Hahaha, hahaha (começa a se contorcer de rir).
- O que é?
- Hahahaha (ainda se contorcendo). Um leão? Pois não parece. Hahaha!
- Ah, é? E pareço o que então?
- Parece... hmm... deixa eu ver... você parece um... um... uma foca.
- Uma foca!? Uma foca!? (nervoso)
- Hahaha... sim... uma foca! Tem um jeitinho de foca. Hahaha!
- E você parece uma porca!
(pára de rir imediatamente) - Uma porca!? Uma porca?!!!
- É. O focinho, sabe. É parecido. E também essas suas orelhas...
- O que têm minhas orelhas?
- Ah, sei lá. Você sabe.
- Sei o quê, foquinha?
- Você já deve ter visto orelhas de porco, são parecidas.
- Minhas orelhas? E você? Com essa sua cara estúpida! Só falta a gente jogar uma bola pra você sair equilibrando ela no nariz! Você também toca buzina, foquinha?
- Espera lá, espera lá. Não ofende, não. Eu não quis ofender.
- Não? Me chamou de porca, disse que eu tenho focinho de porca e orelhas de porca e não quis ofender?
- É que eu gosto de porco, sabe? De carne de porco, e focinhos de porco, e orelhas, e tudo mais. Você daria uma bela de uma feijoada. Sabe, eu sou psicopata, um pouco canibal às vezes, e aí eu tenho esses desejos, faço essas comparações na minha cabeça.
- Meu Deus, você é um monstro!
- Eu? Monstro? O que você acha melhor? Eu dizer que acho você uma delícia, lato sensu, ou eu te propor casamento e deixar você atrás de um fogão, cuidando de uns filhos malditos o resto da vida?
- Eu gosto de crianças.
- Bem, devo confessar, eu também.
- Como assim?
- Gosto de crianças.
- Em que sentido?
- Como assim, em que sentido?
- Você sabe, você...
- Não, claro que não! Sua mente pervertida! Você acha que eu seria capaz de...
- Eu não sei. Você é o primeiro psicopata declarado que eu conheço. Eu não sei. Você bem podia ser um Herodes, sei lá. Vocês têm algum código de honra, algum tabu, alguma...?
- Moral, você ia dizer. Bem, sim. Nós psicopatas nunca deixamos de ter algumas restrições. Certamente há aqueles cujas restrições não estão muito de acordo com o que as pessoas chamariam de normal, mas devo dizer que a maioria de nós diverge muito pouco do catolicismo.
- Então me diga: quais são as suas restrições?
- Bem, eu não ataco crianças. Também não ataco pessoas que estejam impossibilitadas de se defender por algum defeito físico ou doença, mesmo porque perderia toda a graça. E também não ataco pediatras.
- Não ataca pediatras? Por quê?
- Bem, é que eu gosto de crianças, já disse. Os pediatras cuidam das crianças, então eu não ataco pediatras. E eu sempre quis ser pediatra, apesar de ter cursado engenharia civil.
- Um monte de gente cuida de crianças. Se você fosse mais lógico, também excluiria as freiras de orfanato e as babás da sua lista de vítimas em potencial.
- As freiras eu também não ataco, mas por uma questão religiosa. Já as babás, confesso que nunca tinha pensado no caso.
- E como você faz?
- O quê?
- Você sabe (faz com as mãos o gesto de estrangular alguém).
- Ah, eu tenho vários métodos. Depende muito do meu humor, sabe. Alguns psiquiatras dizem que os métodos escolhidos pelos psicopatas têm uma relação direta com o nível de dopamina no cérebro; quanto mais dopamina, mais violento o método. Eu não sei, nunca fiquei medindo meu nível de dopamina, só sei que meu humor influencia. Mas eu não gosto de lambança, minha pressão cai se eu vir muito sangue, então acabo sempre preferindo alguma coisa que não seja muito nojenta.
- Como o quê?
- Veneno, por exemplo. Veneno na comida, veneno na bebida, veneno misturado em algum medicamento, veneno nos lugares menos esperados... Tem aquele filme que o cara põe veneno nos cantos das páginas do livro que ele sabe que a vítima vai ler, e ele sabe que a vítima costuma molhar as pontas dos dedos com saliva sempre que muda de página; nunca tentei, acho que porque só mato esses analfabetos. Tem também aquele cara que faz uma vela com veneno misturado na parafina e põe no quarto da vítima, pois a vítima sempre deixava a vela acesa no quarto. Conforme a vela queima, o ar vai ficando impregnado de veneno. Genial, não é?
- Credo! Como eu posso achar genial uma coisa dessas?
- Ah, que é isso, deixa de ser preconceituosa. Vai dizer que nunca quis matar alguém.
- Bem... já. Mas é diferente, eu tinha motivo. E não matei!
- Eu diria que você é muito vingativa e pouco corajosa. Eu nunca matei ninguém que me fez mal. Não acho que isso seja motivo, detesto vingança. E eu tenho coragem de matar, coisa que você não tem.
- Quer dizer que eu devo ter admiração por esse seu... jeito, então? A sua coragem?
- Encare como quiser.
- Muito bem, Sr. Psicopata, esse é o meu prédio. Não sei por quê, acho que não devo convidá-lo a subir.
- Ah, não tem problema. Eu estou acostumado com a discriminação, a gente vai endurecendo o coração com o tempo, não precisa se desculpar.
(com jeito malicioso) - Vejam só! Que psicopata bonzinho e compreensivo! Esse seu olhar perigoso é excitante, sabia?
- É? Não sabia. Você está com o canto da boca sujo de sorvete.
- E você gosta de sorvete?
- Gosto.
(aproximando-se do rosto dele) - Por que não vem provar, então?
(ele abre um riso largo) - Eu não tomo gelado, pode fazer muito mal à saúde.
janeiro 18, 2005
OoooooH! Aldine

O Senhor, expulsando Adão do Paraíso:
"Comeste da fruta, Adão,
Por quê? Agora terás a labuta,
O trabalho por fazer.
Acabou o dolce far niente,
Acabou a preguiça gostosa.
Já não são mais amigas as feras,
Tu terás, Adão, que ir embora.
Não entendo, Adão, não entendo.
Por que é que comeste da fruta?"
Adão:
"Bem, Senhor, a Eva me pediu...
O Senhor já viu a Eva? Não dava pra negar, não é?"
janeiro 17, 2005
Manchetes de jornal
Da bacia do Nostradamus (como visto no filme do Orson Welles). Entre no ritmo.
Impostos matam dois e deixam sete em estado grave em Fernandópolis.
Células-tronco criticam declaração de Pelé.
Células-tronco declaram apoio ao ETA.
Células-tronco admitem participação em atentado.
Células-tronco fazem testes com míssel intercontinental.
Células-tronco recebem vaga no Conselho de Segurança da ONU.
Máscara de Paul Johnson é sucesso no carnaval de Recife.
Presidente nega pacto com o Demônio.
Presidente admite participação em ritual: "Invoquei, mas não assinei nada."
Fotos do presidente jogando truco com o demônio são divulgadas na Internet: "Eles não estavam apostando" – afirma assessor de imprensa.
Documentos do exército revelam que Chacrinha comandou secretamente golpe de 64.
Presidente é destituído do cargo e pede asilo à APAE.
APAE se recusa a entregar ex-presidente: "Ele está melhor conosco."
Cientistas afirmam que Universo começará daqui a 15 bilhões de anos.
Congresso adia votação sobre proibição de novelos de lã muito grandes.
Embalagens de pururuca terão imagens chocantes alertando contra os perigos da alimentação.
Congresso aprova taxação sobre lugar no espaço. ONG de gordos protesta.
Marcianos descobrem indícios de vida na Terra.
Pirâmide de Quéops já foi vulcão, revela estudo.
Ecologistas acusam indústrias americanas por variação na órbita de Plutão.
Sindicato dos Padres de Guarulhos ganha ação contra Vaticano.
Secretário de Estado americano declara que Vaticano deveria tornar-se democracia.
Vaticano realiza testes nucleares na praça de São Pedro.
Vaticano agora é República Popular do Vaticano. João XXIV declara-se Comandante-em-chefe.
EUA mobilizam tropas contra Vaticano.
EUA declaram guerra ao Vaticano. Igreja excomunga os EUA.
Submarino nuclear da Igreja afunda porta-aviões americano no litoral mineiro.
Vaticano anuncia para março chegada do primeiro padre à Lua.
Vaticano e Liechtenstein assinam pacto de não-agressão.
Itália ameaça cobrar IPTU de Vaticano.
Cruzados desembarcam no litoral americano: "Baixas são mais briguentas que as altas" – declara João XXIV.
Atlético de Madri contrata Ricardinho. Empresário do jogador diz que "nada está acertado".
Vaticano vende indulgências na bolsa de Tóquio.
Celular explode dentro da vagina de ursa panda no zoológico de Pequim.
Michael Jackson vai estrelar filme pornô sobre a vida de Jordy.
Vaticano e Células-tronco assinam pacto contra "eixo do mal".
Francis Fukuyama decreta novo Fim da História. Todos os jornais sairão de circulação a partir de amanhã. ONU aconselha que "todos vão para casa".
janeiro 5, 2005
Costumbres
- Quanto tempo, rapaz! *tap, tap, tap
- Faz uns oito anos, né?
- Por aí, por aí.
- E que você anda fazendo da vida?
- Corretor de seguros.
- Largou a engenharia, então?
- Ah, o mercado tá saturado. Engenharia não dá futuro pra ninguém.
- E a Marly, como tá? Fiquei sabendo do casamento mas não pude ir. Sabe como é a vida de representante, né. Um dia aqui, outro ali. Não tem lugar fixo.
- Ah, a Marly tá boa. Mas eu larguei, não sabia?
- Largou?! Não, não sabia. Mas também, mulherengo como tu, não ia durar muito mesmo. Hehehe.
- Não, foi isso não.
- Não bateu o gênio, então?
- A Marly é um doce, não tem como não gostar dela.
- Ué, mas por que largou então?
- Ah, virei viado.
- Hahaha.
- Não ri, não. Olha o preconceito, hein.
- Pára de zoar com a minha cara. Se fosse qualquer outro eu acreditava, mas você?!
- Sério mesmo. Meu negócio agora é pinto.
- Hahaha! Tô vendo que não perdeu a mania de palhaçada. Lembra aquela vez que você disse pro Mafra que...
- Tô falando sério, rapaz. Eu quero é rola.
- Ihhhh... Esse negócio tá estranho, hein.
- Mas é, ué.
- Ah, vá, vá. Empurras a parede feroz, então?
- Mas com gosto mesmo.
- Do nada? Enviadou do nada? Como é que você pegou esse costume feio?
- De farra, pura farra.
- Como assim, de farra?
- Fui numa festa um dia aí, acabou virando a maior suruba. Terra de ninguém, rapaz, terra de ninguém. Coisa de aristocracia francesa.
- E?
- Tava lá, meio breaco, vendo aquela putaria comendo solta... De repente um cara lá chegou perto de mim e pôs o pinto pra fora. Pensei: "Quer saber? Vou sentar nessa bosta". Aí já viu... Viciei.
- Mas não me diga uma coisa dessas!
- Ah, mas foi de farra, não foi viadagem. Só dou de farra mesmo. Aproveitar a vida, né?
janeiro 4, 2005
Pertubação
Quando estou, quando estou apaixonado
tão fora de mim eu vivo 
que nem sei se vivo ou morto
quando estou apaixonado.
Não pode a fera comigo
quando estou, quando estou apaixonado,
mas me derrota a formiga
se é que estou apaixonado.
Mas quando não sei se estou, se estou apaixonado,
não sei se apanho ou se bato,
se Gato Guerreiro ou Pacato.
Vira um rolo só,
cês tem que ver.
(Goethe)
A terrível influência de Jean Michel Jarre
A conseqüência mais evidente da Revolução Francesa é a crença em ETs. Podem reparar: os ETs, em geral, têm um estilão francês. Muitos franceses têm um estilão ET também, como é o caso do frenologista maconheiro. 
Reparem que os povos que não acreditam na Revolução Francesa também não acreditam em ETs, como é o caso dos árabes e dos indianos. Bollywood, apesar de fazer 180 milhões de filmes por ano, não faz unzinho sequer de ET. Na Índia simplesmente não tem ET, justamente porque nunca ouviram falar de guilhotina, brioche, égalité, je t'aime (moi non plus).
O cinema iraniano também não faz filme de ET ("A Caminho de Alpha-Centauri", "A nave", "A Estrela", "O Encontro"), nem poderia fazer.
As tentativas de criar democracias árabes estão condenadas ao fracasso enquanto não se levar em conta que eles não crêem em ETs, além de outras coisas, e isso porque não tiveram Revolução Francesa. Não é que a Revolução Francesa seja condição para democracia, é que ela criou todo um western way of being idiot que assusta os nêgo, e que a gente empurra neles junto com o parlamento.
Vejam só: ET, mulher de calça jeans, "prefácio de Gore Vidal", rock progressivo, câmera escondida, charge do Chico Caruso, Viva a Noite, e west but not east, o "Poder Jovem". Tudo Revolução Francesa.
janeiro 3, 2005
QI 200
"Se o Universo sempre existiu, então há um período de tempo infinito antes de cada evento, o que é absurdo.
Se o Universo tiver um começo, então há um período de tempo infinito antes dele. Daí Matheus pergunta: por que o Universo deveria começar em algum instante particular, santa? Absurdo, absurdo..." (Goethe)
Solução:
O Universo ainda não começou, é evidente.
"Em Itabira há um barbeiro que:
1- Faz a barba de todas as pessoas de Itabira que não fazem a própria barba.
2- Só faz a barba de quem não faz a própria barba.
Afinal, o bendito barbeiro faz ou não faz a própria barba?" (Carlos Drummond de Andrade)
Na praça da Matriz de Itabira, coloque o barbeiro, um gato, um frasco de veneno e uma navalha dentro de uma caixa fechada. Esta caixa deve ter um dispositivo que detecta a emissão de uma partícula de um núcleo radioativo. Uma vez que o dispositivo detecte a emissão da partícula, um pequeno leão aprisionado no canto da caixa é liberado, atacando e matando o barbeiro e o gato. A chance dessa partícula ser liberada é de 50% pelo período médio da vida de um barbeiro de Itabira.
Deixe a caixa fechada para sempre.
Voilà! O barbeiro fez e não fez a própria barba.
janeiro 2, 2005
Em breve o lançamento de AMOR.COM, o novo disco de Paulinho Sentimento
Com os sucessos:
"Seu beijo é um SPAM"
"Vou desinstalar você do meu coração"
"Você foi formatada direitinho pra mim"
"Meu IP banido"
"Ícone da paixão"
"Operação ilegal, erro fatal"
"Quem tem acesso é epilético (aqui não, violão)"
"Deixa eu te botar no Orkut"
"Eu, servidor de ti"
"Quatro arrobas de mulher"
Pena alternativa: não, obrigado.
- Você está condenado a prestar serviços sociais por um ano.
- Nãããããooooo! A cadeia! Me ponham na cadeia!
Who fucks the fuckers?
Não é a idéia de império a obsessão de 200 mil anos da
humanidade. Muito mais essencial é a idéia de
trenzinho. Um ser humano não pode ver dois tendo
relação que já quer logo engatar. Da filosofia à
história, da cadeira de espaldar regulável ao patinete
motorizado, tudo passa pela idéia de trenzinho. Daí
que a melhor resposta ao relincho é o coice.
Tudo tende à "fila paulista".
São Paulo, afinal, é a locomotiva do Brasil.