março 23, 2005

Passas, Petrarca

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Cientista é alguém que, além de acreditar em átomo, cria um modelo atômico e o batiza de "modelo do pudim-de-passas".
Eu também queria morar num Universo da Nestlé, evidente, ou mesmo no mundo de Toddynho (ainda que eu desconfie que vá enjoar de tanto chocolate), mas daí a inventar um Universo baseado no "modelo do pudim-de-passas" e defender em congressos que estou falando sério vai uma distância.

Mas... digrido, pois a razão deste post é comentar uma notícia a respeito do corpo do poeta Petrarca:

Poet Petrarch Loses His Head

by Rossella Lorenzi, Discovery News

The remains of who was thought to be the Renaissance poet Francesco Petrarch are instead those of two different people, DNA tests have confirmed.
Analysis of a tooth and one of the ribs exhumed from Petrarch's tomb in Arquá Petrarca, the village near Padua where the poet died in 1374, showed that they belonged to a man and a woman.
(…)
"DNA tests confirmed what we thought as we saw the skull: it could not belong to Petrarch. The contours above the eyes and below the ears are indeed typical of a woman. On the contrary, there is no doubt about the body," lead scientist Vito Terribile Wiel Marin, professor of pathological anatomy at the University of Padua, told Discovery News.

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Vejam só o preconceito e falta de imaginação do cientista: porque a cabeça é de mulher e o corpo é de homem, ele conclui apressadamente que a cabeça não é do Petrarca. Ele nem sequer propõe a primeira e mais evidente hipótese: que Petrarca, afinal, tinha cabeça de mulher e corpo de homem. "Mas tal coisa jamais existiu", dirá o amigo sem imaginação, e é nesse momento que saco meu grosso volume de Hume e começo a espancar o amigo sem imaginação com o livro, fazendo triunfar a filosofia sobre a ciência.
Além do mais Petrarca tinha, sim, rosto de mulher, como atesta sua mais conhecida gravura, que pus aí ao lado para vossa apreciação.





Posted by Radamanto at 8:42 PM

março 18, 2005

Ainda a moda

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Posted by Radamanto at 5:56 PM

A EVOLUÇÃO DA MODA NO SÉCULO XX

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Posted by Radamanto at 4:06 AM

março 17, 2005

The inner circle

Em homenagem a todos os chatos, velhos e adultos.

(...)

"Firma-te bem, que escada tal curtindo",
disse o Mestre, ofegando de cansaço,
"é que estamos de tanto mal partindo."

Eu já fatigado, o espírito lasso,
apressava-me em ir o quanto breve,
foi quando o mestre me deteve o passo:

"Mas antes ainda que eu daqui te leve,
um último lugar devo mostrar-te,
onde até mesmo o mal nunca se atreve.

É para onde vão os que tiveram na arte
de ser chatos o seu dever de ofício
e fizeram da chatice o estandarte.

São aqueles que enfadar têm por vício,
para quem encher o saco é alegria,
que não têm de piedade um só resquício."

"Mestre", perguntei ao meu sábio guia,
"haverão de merecer pior remessa,
que os traidores que agora pouco eu via?"

"Sim", me respondeu o maior dos poetas,
"pois quem trai o faz somente um dia,
enquanto quem chateia o faz por décadas."

Ao ouvir essas palavras eu tremia,
imaginando a pena a tais danados;
se Lúcifer os traidores comia,

O que então estaria reservado
aos chatos, que em tanto eles excediam?
Qual seria deles o horrendo fado?

Ao ver-me desse modo preocupado,
Virgílio interrogou-me a tal respeito
"Por que trazes o cenho tão cerrado?"

"O que me angustia agora o peito",
respondi sem alçar sequer a fronte,
"é pensar no que desses será feito".

"Se por tal deixe que eu mesmo te conte:
nem é dentro do Inferno que habitam,
pois se há na entrada o horrendo Caronte,

Que barra os que ignavos se anunciam,
da mesma forma estão todos os chatos
além dos traidores que tilintam:

Para eles há um apartado espaço,
onde pagam sua pena justamente,
que com eles não quer ter nem o Diabo.

Em vez de aguilhões ou rio fervente,
estão condenados a conviver
uns com os outros, e assim para sempre."

"Martírio mais cruel não pode haver",
disse ao Mestre ainda estupefato,
"tão cruel quanto justo pode ser."

"Nessas tuas palavras não há reparo;
quando aos vivos retornares anuncia
que o castigo do chato é o próprio chato."

Logo após uma sombra aparecia
co'uma mala sem alça a carregar;
era Smart, que sua pena assim cumpria,

E com o tal fardo pôs-se a me falar:
"Gastei toda minha vida em vãs querelas,
me esforçando em todos aporrinhar.

Agora neste mundo só de treva,
uma mala sem alça como eu
por toda a eternidade me entreva.

Que fosse meu pecado ser ateu,
pois a isso eu achei fizesse jus,
mas pior pena ao que não crê em Deus

É guardada aos que vivem com o Cruz."
Pois que mal terminadas as palavras,
surge a alma ignóbil de Alexandre Cruz:

"Esse aí de mim reclama por nada,
em vida nunca de mim diferiu,
agora que a sentença a nós foi dada,

Quer fingir em vão que nunca me viu;
fugindo eternamente com esta mala,
fingindo em vida não ter sido vil.

Eu que, veja, não incomodo em nada,
só sei levá-lo ao caminho do bem,
lembrando-o de não fazer criançada."

Fugi correndo, dizendo "amém".
Virgílio, ligeiro, fugiu comigo:
"Assim é como os chatos se entretém",

Disse, e "leva um conselho contigo:
aquele que na Terra for um chato,
no além os chatos chamará de amigos."

E saímos por ali, a rever estrelas.

Posted by Radamanto at 5:00 AM

março 15, 2005

O livro egípcio dos sonhos de José Palito

Sonhei esta noite com a soprano neozelandesa Obi-Wan Kenobi.
Passei o sonho inteiro a chamar a soprano de Obi-Wan (Kenobi).
Acordei desesperado, porque eu sabia que fazia todo sentido eu chamá-la de Obi-Wan Kenobi, mas por quê? Por quê?!

Corri para a Internet mal saí da cama e, antes de consultar o Google, consultei o Adrian, que, todo mundo sabe, é bem melhor que o Google.
Aliviado, descobri que a soprano se chama Kiri Te Kanawa, ou seja, Obi-Wan Kenobi.
Não estava louco, afinal.

P.S.: Mistério ainda insolúvel para mim é o sonho de três dias atrás, em que me interrogava por que Raul Gil é branco e Gilberto Gil preto, já que seriam irmãos.

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Obi-Wan Kenobi

Posted by Radamanto at 5:48 PM

março 11, 2005

O cordão dos retardados cada vez aumenta mais

As bestas que dominam a USP daqui estão cada vez mais perigosas. Começaram proibindo a venda de cigarros no campus há uns anos atrás. Depois proibiram o uso de copos de plástico descartáveis e distribuíram uma caneca pra cada um, à maneira dos presídios, de modo que os jacus dos alunos ficam andando com a tal caneca pra cima e pra baixo (o que na verdade é bem engraçado). Agora proibiram vender cerveja no campus.
Uma das bestas que está com o anel do poder fez parte da diretoria de uma faculdade há um tempo atrás, faculdade dominada por cursos em que havia quase somente mulheres, e achou por bem proibir a entrada de homens "no recinto". Se você, homem, quisesse entrar na faculdade, tinha que dar uma justificativa. No mínimo tinha que esclarecer que "eu não vim aqui comer ninguém, não."
Fiquei sabendo que agora também puseram um sujeito para vigiar a Internet do campus. Esse sujeito, contratado especialmente para isso, fica de botuca espiando os sites que as pessoas visitam, para evitar que acessem sites pornô e sei lá que mais. Quando apita na telinha dele que alguém está vendo putaria, o desgraçado anota qual computador infringiu a Lei e manda cortar a Internet desse computador. Não sei se são conduzidas investigações ulteriores. A alegação para esse tipo de coisa eu também não sei, mas imagino que seja algo como "é imoral bater punheta com o dinheiro do povo". O pior é que não avisaram a ninguém, espionagem da braba.
Sem dúvida que as universidades são a vanguarda do pensamento brasileiro. Pegue qualquer cretinice de sucesso no Brasil e vá seguindo que você fatalmente descobrirá que a idéia surgiu da cabeça de algum depravado da universidade.

Posted by Radamanto at 12:08 AM

março 10, 2005

Pobremas da língua, poblemas do teclado, ploblemas

Em português não dá para escrever Guiana como se diz Guiana, já notaram? A correta pronúncia de Guiana não pode ser grafada Guiana, Güiana, Guyana, Gúiana, seja lá o que for.

***

No teclado não tem travessão. Reparem. Só tem hífen (palavra que, vejam só, termina em "n" e ninguém liga). Hífen e travessão não são iguais. O travessão é maior que o hífen. O teclado não tem travessão. Algumas versões do Word corrigem o problema, esticando o hífen (ou sinal de subtração, que vem a dar na mesma) para transformá-lo num travessão quando no começo de uma frase ou depois de dois-pontos.

***

O que é um analfabeto funcional? É alguém que aprendeu a escrever e não sabe escrever, é isso? É alguém que "sabe e não sabe" escrever?
Analfabeto funcional é tipo física quântica?

Como pode? Como pode?!
É por esse tipo de coisa que eu perco o sono.

Posted by Radamanto at 3:40 AM

março 7, 2005

The Ultimate Spam Shield

A maneira mais eficiente de evitar os spams na Internet é submeter o emissor da informação a um teste de Turing. O emissor da informação deve “provar” que é um humano, não uma máquina. É o que acontece na caixa de comentários dos wunderblogs, por exemplo, onde você deve digitar a seqüência de caracteres que aparece numa imagem para garantir que é uma pessoa humana.
Mas as seqüências de caracteres alfanuméricos numa imagem digital podem ser interpretadas facilmente pelo computador, pois que há softwares de OCR (Optical Character Recognition) bastante eficazes. Aliás, um bom software de OCR adianta a vida que é uma beleza em várias situações, recomendo a todo mundo (você escaneia uma página de livro e faz ela virar um texto de Word, é isso que um programa de OCR faz).
Como os softwares de OCR estão bastante desenvolvidos, ou seja, capturam os caracteres alfanuméricos num GIF, num JPG, cada vez com maior precisão, você tem que distorcer os caracteres cada vez mais para que a máquina não os reconheça (Hal-9000). Por isso as letras e números das caixas de verificação são, hoje em dia, tortinhos (ou têm um fundo borrado, quadriculado, etc). Há uma corrida entre os que criam imagens cada vez mais difíceis de serem reconhecidas por um software de OCR e os desenvolvedores de softwares de OCR.

A solução:

A solução é apresentar “figuras abstratas” no procedimento de verificação. Em vez de uma figura contendo os caracteres “xy7htk”, por exemplo, você apresenta a figura de uma mesa. O programa verificador diz “escreva o que você vê na figura” (evidentemente tem-se que adotar uma língua padrão para o uso internacional disso e será o inglês). Se há uma mesa, você deverá escrever “table”. Um pássaro - qualquer um - “bird”. Um nariz, “nose”. Um liquidificador, “blender”. Pode-se usar imagens internacionais, inclusive. Se for a Monalisa, você escreve “monalisa” (e que se dane quem não souber reconhecer sequer a Monalisa, esse sujeito não merece mandar informação). Ou “hitler” (aliás, os imbecis que escreverem “nazismo” quando virem uma suástica também não merecem mandar informação).
Na verdade, esse sistema de triagem é duplamente vantajoso. Não é impraticável, como pode parecer a princípio. Ele pode ser ajustado de acordo com o gosto do programador do filtro, transformando-se em infinita fonte de diversão ou adaptado às necessidades circunstanciais.
Há uma infinidade de consequências para esse esqueminha, inclusive para a troca de e-mails (ele funciona basicamente em qualquer situação em que se queira evitar o "paradoxo do traveco"), mas este blog é muito pequeno para contê-las.

Posted by Radamanto at 4:02 AM

março 1, 2005

Coisitas fofuchas

Se eu fosse biólogo, além de fresco eu seria obcecado pela idéia de fazer baleinhas de aquário. Sim, baleinhas de aquário. Eu ficaria rico, e inventaria algo 'superfofo'.
Baleinhas de aquário que espirram agüinha na superfície, por aquele furo que elas têm pra respirar. Elas também cantariam daquele jeito lá que as baleias cantam: "Uõõõ, uõõõõõõô".
E dariam uns saltos de vez em quando.
Não dever ser difícil. Eu, se fosse engenheiro genético, começaria por tentar reduzir o tamanho dos genes. Se os genes forem, assim, pequenos, o animal deve ser pequeno também. Por aí. Não é?
Igualmente boa é minha idéia de criar sereinhas. Sim, pequenas sereias de aquário. Elas vêm vestidas com um biquininho e tocam músicas numa harpa pequetita. As músicas que você ensinar, elas aprendem, que nem um papagaio. Além de tocar uma harpinha, elas cantam com umas vozinhas finiiiiiinhas. Superfofo. E de várias cores.

Se eu fosse físico, além de fracassado eu inventaria a mini-bomba nuclear. Uma biriba nuclear, uma bombinha que você joga e ela explode, formando um cogumelo nuclear pequerrucho de, o quê, 5 cm. Bom para matar barata e ver se ela realmente sobrevive ao cataclisma nuclear.

Posted by Radamanto at 6:11 AM