abril 28, 2006

Cenas de um casamento

Amigo do noivo

- Ficou bom o fraque? Combino cinza com preto?
- Não é um privilégio que o noivo possa escolher a roupa que vai usar no casamento? É como poder escolher a roupa do próprio funeral.
- Mas ficou bom? A manga não está curta?
- Curta nada. É só cortar um pedaço do seu braço que vai ficar perfeito.
- E a gravata? Não está comprida?
- Melhor. Você pode usá-la para se enforcar caso surja uma oportunidade.

Amigo da noiva

- Estou com medo de que algo dê errado. Imagina se tiver que cancelar o casamento?
- Você não costuma ter tanta sorte.
- Deus! Não imaginava que casar dava todo esse trabalho!
- Você vai livrar todas as outras mulheres do mundo de cometer um erro terrível. É uma grande responsabilidade, não é qualquer coisa.

Amigo do casal

- Eu não vou casar com esse colete!
- Mas combina com a roupa dos padrinhos!
- Mas eu não gosto desse colete!

- ...

- Você, que é padrinho. O que acha?
- Vou ligar para o banco e sustar o cheque que passei para pagar o presente.


P.S.: Olha lá, seu pilantra! Melhor andar na linha agora, hein.

Posted by Radamanto at 2:17 AM

abril 12, 2006

Quem ama, mata

Suzane Richthofen é o lixo, o câncer. A Veja sugeriu sutilmente que fosse costurada num saco de couro com uma galinha, um cachorro e uma bengala, e depois atirada ao mar
Suzane Richthofen é basculheira, parricida, matricida...
Apareceu no Fantástico tentando chorar. Acabou voltando pra cadeia.
Matou os pais e foi comemorar no motel.
Suzane Louise von Richthofen, o próprio nome embebido em sangue, empapado de sangue, encharcado do sangue dos pais. Parricida, matricida...

O nome. Suzane von Richtoven. Lixo, escumalha, esguicho de vileza.

Vagabunda, cheia de encenação, apareceu com uma camiseta da Minnie na televisão, com manga de babadinho. E frágil! Pagando de frágil!
Suzane, você, tão bonitinha, tem o nome da música do Leonard Cohen. E toma banho de sangue, hidrata sua pelezinha com sangue.

Da Quaresma ninguém lembra, assim como dos pais que tem.

Engraçado que o ano cristão seja 365 dias de malhação do Judas.

Posted by Radamanto at 6:18 AM

abril 11, 2006

O "do hipopótamo"

Vocês já conhecem o "do Juruna", que expliquei aqui. O "do Juruna" é estratagema lícito e pode ser usado por qualquer um, quase em qualquer situação (basta ter o que atirar nos outros, o que se arranja fácil).
Apresentamos agora outro estratagema, baseado originalmente num argumento de autoridade que é utilizado por Deus no Livro de Jó.

Pois bem, a uma certa altura do livro, quando Jó começa a se queixar de ter nascido para ter que suportar os grandes padecimentos que Deus lhe infligiu para ganhar uma aposta contra o Capeta, o próprio Deus lhe aparece e, entre várias outras justas considerações, lança o desafio: "Por acaso você consegue pegar um hipopótamo?". O pobre Jó, que àquela altura não conseguia pegar nem gripe, nada responde (mesmo porque Deus estava em longa dissertação e não convém interromper nesses casos). Termina que Deus vence a discussão.

Como o leitor perspicaz já deve (ou deveria) ter percebido, este estratagema pode ser estendido a outras proezas que não supomos o adversário ter realizado ou poder um dia realizar. O próprio Deus, aliás, inquire Jó sobre sua capacidade de "pescar o Leviatã ou apertar-lhe a língua com uma corda", entre outras coisas, o que, c’mon, realmente não dá pra esperar do Jó.

Entram nessa categoria admoestações do tipo "Por acaso você já comeu a Charlotte Casiraghi?" ou "Por acaso você consegue levantar o Jô Soares?", e por aí vai. Não é preciso ter realizado esses feitos fabulosos para o estratagema funcionar. Deve-se apenas esperar que o adversário, meio atordoado com a pergunta descabida, diga "não" e daí completar imediatamente: "Então não me enche o saco".
Se acaso o adversário protestar, deve-se insistir no ponto de maneira infantil:
- Mas o que iss...
- Comeu?
- Isso não tem nad...
- Perguntei se comeu.
- Que tem a ver se eu...
- Hullooôôôooouuu?! Co-meu?
- Eu nem sei quem é Charl...
- Co.......
......meu?

Este estratagema chama-se "do hipopótamo", e tem aplicação mais ampla até que o "do Juruna", pois não requer artefatos à mão para jogar em cima dos outros e prescinde da platéia, fundamental para o "do Juruna".

Posted by Radamanto at 4:38 AM

abril 10, 2006

Evangelho Segundo Juca

Já que evangelho virou um gênero literário (Salve, Saramago! Eparrei, Inhançã!), daqui a pouco vai ter um por escritor.
Versões em que Jesus voa e explode no céu, em que é fuzilado no Muro das Lamentações (com "a Santa Venda"), em que os samaritanos são atacados com gás sarin, em que se multiplica quibe em vez de peixe (o que, "segundo os pesquisadores", não é historicamente correto, pois o quibe só surgiu na blá, blá, blá...), em que Maria Madalena se transforma num jipe em forma de robô e ataca os judeus, em que Verônica tira uma máscara e revela ser... Raimundo Nonato!
Vai ter o Evangelho Segundo Pilatos, quando se revela que o vil romano lavou as mãos apenas por sofrer de TOC, e Segundo Lázaro, em que ele conta as aventuras de seu espírito na Zona Fantasma enquanto esperava pela ressurreição.
E a tudo isso vão se somar os 'pseudos'. O Pseudo-Jair, o Pseudo-Renatinho, Pseudo-Jesus, Pseudo-Tanaka, Pseudo-Barrabás, Pseudo-Lillian Witte Fibe...

A Igreja (que Alá a proteja!) não vai reconhecer nenhum. A Igreja é melhor que Harold Bloom.

Posted by Radamanto at 2:37 AM

abril 7, 2006

Pra que 38 estratagemas se você só precisa de um?

Diógenes teve sorte de poder demonstrar a estupidez de Platão jogando uma galinha depenada na praça e dizendo "Eis o homem de Platão". Digo sorte porque o argumento podia ser bem mais trabalhoso. Por exemplo, podia acontecer de ele ter que enfrentar o Buridan, caso em que teria que dizer "Eis o asno de Buridan", e atirar um asno depilado ou um político, ou algo assim na praça, muito mais pesados.
Discussão boa você encerra assim, atirando alguma coisa no meio da platéia.

Eu, se freqüentasse congressos científicos de física, começaria minha palestrinha atirando um pudim de passas na platéia: "Eis o modelo atômico que vocês já propuseram, palhaços!", diria, e tenho certeza que mentalmente muita gente ia concordar comigo ali. "É, até que o rapaz do pudim tem razão".

Da mesma maneira queria voltar no tempo levando o Juruna comigo. Apareceria num elegante convescote iluminista com meu amigo Juruna, e quando aqueles fresquitos começassem a falar de bom selvagem eu jogaria o Juruna no meio deles: "Eis o bom selvagem dos iluministas". Mesmo que eles não entendessem nada, principalmente por que diabos aquele índio está de paletó e segurando um gravador, o efeito paralisante do Juruna no meio do cenário já me daria vantagem na discussão.

i) Este estratagema chama-se "do Juruna" e, quando possível, deve ser utilizado como primeiro recurso numa discussão, aproveitando o elemento surpresa.
ii) Nunca entre em discussões em que o "do Juruna" não possa ser aplicado, casos em que se indica a agressão física (não gratuita, mas "apenas como meio de possibilitar o diálogo", como preconizava Raimundo Lúlio).

Posted by Radamanto at 7:30 PM

Link original e explicações aqui.

Posted by Radamanto at 4:39 PM